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Viver depois do Amor

5 março 2010

Tenho conhecido pessoas… há outras que eu já conhecia!

A maioria das pessoas é igual. Bem, ninguém é igual, mas são muito parecidas. Há quem me acuse de parecido com alguém…
O fato é que ter amado minha ex-esposa, verdadeiramente, me permite ser um sujeito imune a paixões. Primeiro porque quando descobri-me amando alguém, não houve mais espaço para outrém. E não é porque minha amada decepcionou-me que vou deixar de amá-la. Apenas tenho consciência de que ela não serve para mim, mas amo-a – querendo ou não.
Em sendo assim, não me apaixono por ninguém, não me envolvo muito com ninguém. O que é muito saudável.
Antes, eu me apaixonava enlouquecidamente por qualquer pessoa com quem eu trocasse um beijo e, obviamente, minhas relações viravam algo sufocante e angustiante… é claro que em algum período e com algumas mulheres, as coisas fluiram de forma mais leve ou mais tranqüila, justamente, por haver uma reciprocidade muito intensa. Mas no geral eu era muito chato – e eu percebia isso, e odiava-me por isso!

Cresci… a partir de algum momento, comecei a amar-me. Bastei-me em mim mesmo! Estando completo em mim, pude aceitar alguém ao meu lado, pois já não buscava ninguém, não buscava preencher nenhum vazio com alguém.
A grande maioria das pessoas sente um vazio (têm um buraco) e procuram alguém para preencher este vazio, para tapar o buraco que sentem ter (eu também já fui assim). Acontece que quando estas pessoas estão se relacionando com alguém [que eles colocam {à força} dentro do seu “buraco”] sentem-se preenchidas, completas. Quando terminam sua relação e a pessoa se vai, fica-lhes o “buraco”, novamente. Então eles dizem que “ficaram com um vazio”, “perderam X tempo com fulano”, etc,etc.
Mas, quando se está completo e aceita-se alguém, na hipótese desta pessoa ir-se, volta-se ao normal, simplesmente. Fica a sensação de tristeza, de perda, de decepção… [e pode até ser uma sensação mortal!!!!] mas não se nos sentimos vazios ou com “buracos”. E não tendo buracos, não ficamos tentando colocar ninguém dentro da gente pra preencher nada. Apenas volta-se a aceitar as pessoas como elas são e no que elas podem oferecer-nos. Vive-se!

Obs. Já estou separado há mais de um ano (talvez dois ou mais de dois…). Convém colocar isto para não parecer que estou naquela fasezinha seguinte às decepções. Não, isto já é a descrição de um processo completamente desenvolvido.

Outra observação interessante: foram quase oito anos de relacionamento, incluindo “ficar”, namorar, casar, ter filho e separar, durante os quais, dediquei-me exclusivamente a ela e de forma espontânea – por amar e não por qualquer convenção social.

OBS.2: O texto foi escrito cerca de dois anos após minha separação. Quase uma década, depois, posso dizer que o sentimento que eu tinha se perdeu, pois devido a sucessivas decepções, entendo que aquela pessoa que amei, já não existe, mais.
ou está “perdida” dentro de uma pessoa que eu já não reconheço.

 

 

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