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Machismo

30 março 2011

Não sei onde está um texto antiqüíssimo, que escrevi sobre isso… mas, vá lá… escreverei de novo.

Detesto esta divisão de gênero! Outro dia, escrevi em algum lugar sobre isso… que as pessoas podiam ter separado os seres pelo tipo de voz, estatura, cor do cabelo….mas não, foram se ater à genitália das criaturas. Pois bem, este dualismo “ideal” não serve para a sociedade…. até porque existem pessoas fora deste padrão genético.

Mas do ponto de vista da opção sexual, digo, da inclinação do desejo…. a sociedade, ainda, insiste em rotular as pessoas.

Se é hétero, gay, lésbica, transgênero, etc…. O que insisto é que ninguém “é”. As pessoas “estão”. Qualquer um pode mudar sua “opção”, sua inclinação, seus desejos, a qualquer momento! Seja por uma atitude consciente, seja por um acontecimento, seja por uma sucessão de acontecimentos, seja por nada!

Há quem jamais mude… mas eu quero chegar é no fato de que se a pessoa muda ou não muda, não importa! Ela “está”… mesmo que “esteja” sempre com as mesmas inclinações, desejos, etc…. mas insisto em dizer que ninguém “É”.

Tu és hétero? Achas que isto nunca vai mudar? Pois bem, então tu “estás” hétero. E vais continuar “estando” por toda a vida. Não estou duvidando de ti. Mas quero dizer que não há uma condição física que te “obriga” a “ser” algo… em geral, a condição física, induz o sujeito a “estar” alguma coisa… mas ela não é determinante.

Bem, dito isso, vamos discutir o que é esse tal “machismo”… – depois podemos discutir outros termos.
Vamos tentar definir “friamente”: Uma inclinação de alguém em privilegiar o “masculino”.

Até aí, nem seria tanto um problema. O problema é que para isto, ocorre, sempre, a depreciação do “feminino” (e tudo o que existir entre um e outro).

Mas por que isso ocorre?

Algumas hipóteses:

1. Os sujeitos compreendidos como “machos”, sentem-se extremamente frágeis e inferiores, que precisam proteger-se e, então, passam a enaltecer seu “gênero”;

Tá, não precisava de outras hipóteses…. mas vamos tentar criar, vesti-la de forma diferente.

2. Os tais sujeitos não são capazes de perceber nada além de seu campo limitadíssimo de percepção (ou visão, pq em geral esta gente só vê, não percebe)… então, tudo que estiver fora do compreensível, torna-se menos interessante. Em outras palavras, tudo o que eles não sabem lidar, é depreciado.

3. Eles foram criados assim.

Veja o que acontece com algumas destas desafortunadas criaturas: O boneco começa a crescer e seus pais começam a “testa-los”… Frases que ouvi no decorrer de meu desenvolvimento: “-Tu é um homem ou uma formiga?”, “-Homem não chora!”, “-Homem não faz isso!”… minhas respostas: -Sou uma formiga!, -Buááá!!, -Então não sou homem, porque já fiz!

Nem todas as crianças/adolescentes têm esta presença de espírito.

Na verdade, era fácil pra mim, não preocupar-me com comportamentos que pudessem dar a entender que eu não era homem, porque a imagem que eu tinha de “homem” era uma coisa muito estúpida, podre, insuportável. Quanto mais eu não parecesse com aquilo, tanto melhor. Na verdade, só quem pensaria isso seriam, justamente, os “homens”. E “homens” são o que menos me interessa no mundo. Pra mim, pouco importa (e sempre foi assim) o que os “homens” pensam de mim.

Quanto às mulheres, bem… algumas, realmente, não me importam. Mas a maioria têm percepção suficiente para identificar O QUE HÁ DE INTERESSANTE em mim! Pouco importa se denominam-me homem ou o que for.

Como disse, detesto rótulos.

Mas voltando às vítimas…. a criatura está se formando psiquicamente e as pessoas que ela mais preza (ou está mais ligada/obrigada) vive duvidando se ela é ou não é homem. Isto a fará pensar que ela pode ‘não ser’ homem.

E isto lhe levará a conflitos:

1. Homem não pode ter amiga, tem que “traçar” todas… bem, mas ele não se interessa por “todas”…. e ele tem amigas!

2. Homem não pode expressar carinho para com outro homem…. não pode tocar no outro, etc… mas ele AMA o amigo! Senão não seria amigo, não é? E ele sente carinho pelo amigo…. aquele carinho de irmão! Tem vontade de abraçar, acariciar os cabelos, beijar o rosto, a testa… segurar forte a mão dele para encorajá-lo! Como as criancinhas fazem nas “escolinhas”, nos antigos “jardins-de-infância”….

3. Há toda uma literatura falando que os guris têm curiosidades e experiências com outros guris no processo de crescimento e que isto é saudável…. (por sorte eu vivi rodeado de gurias e não precisei disso, heheheh)… se eu tivesse vivido estas coisas, eu poderia opinar de forma mais clara e, certamente, falaria aqui, abertamente – eu adoro chocar as pessoas!!! Mas, não sei se infelizmente, não posso chocá-los, agora.

Bueno, com os dois itens, acima, o sujeito pode ficar achando que não é “homem”, já que a vida contraria a teoria.

E aí o cara acha que se não é homem, então é outra coisa! E como não lhe dão muitas opções, ele acha que é gay.

Aí ele passa a agir como gay. Ou “enruste-se”… ou, ou, ou….

Mas, voltando ao “machismo”… o cara é exposto a estas situações, aí… e no processo de confusão, quer provar pra si mesmo que é homem! Porque vivem lhe cobrando isso…. Então ele passa a agir “como homem”…. a exaltar sua “masculinidade”…. o problema é que ele não sabe o que é isso! E os outros “homens”, também não sabem!

Porque isso não existe! Não existe “homem”!!! Isto é uma abstração!

Existem seres! Seres humanos. Estes seres têm sentimentos, percepções e desejos. E tudo isso vive em mutação. Ainda que essa mutação não fuja muito de uma determinada faixa para alguns ou muitos.

É assim que surge essa anomalia chamada machismo!

Há outras implicações e outros tipos de “machismo”… mas meus textos são muito longos… escreverei um livro sobre isso tudo, ainda!

Nota:

Quando digo “testa-los”, estou chamando atenção para o dado mais crítico. Ninguém fica perguntando pras meninas se elas são mulheres ou não. Logo elas crescem sem esta dúvida. Ainda que elas tenham inclinações diversas. Mas a demência faz com que os “pais”, na ânsia de que seus filhos sejam “homens” (esquecendo-se de que eles já são “homens”, ou pelo menos eram até que seus pais lhes questionassem sobre isso), passem a tentar `fortalecer` esta idéia na cabeça dos meninos… e provocam o inverso ou a confusão.

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Sobre os relacionamentos…

28 março 2011

Este é um dos meus assuntos prediletos, de fato. E, em sendo assim, converso muito sobre isso com diversas pessoas… e analiso muito.

Eu estranho demais essa coisa que denominam relacionamento (limitando-se aos relacionamentos entre “casais” – independente dos gêneros)…

Ouço as conversas de estranhos sobre isso em ônibus, restaurantes, RU, bares, filas públicas…. pelas ruas. E noto essa idéia recorrente de posse.

Há vários fatores que sempre se entrechocam: amor(significando o tal relacionamento), amizade, direitos, deveres, obrigações, proibições… dá até náuseas de escrever algumas destas palavras.

Vejamos o exemplo mais recente, obtido de uma conversa “roubada” no RU: Uma guria comenta que já disse ao atual namorado que se eles combinam ir a algum lugar e o cara desiste, ela vai sem ele… pq o anterior um dia lhe disse: “-Nós não vamos, mais… porque lá é uma putaria…”.

Me meti na conversa e perguntei qual o problema de ir a um lugar onde há putaria? No caso, era o aniversário de uma amiga que se daria numa danceteria normal, com fama de lugar de “caçação”. Perguntei, ainda, qual era o problema que o namorado achava de ir com a namorada num tal lugar?

O que me horroriza nestas histórias é imaginar alguém capaz de pronunciar uma frase destas: “-Nós não vamos…” Alguém se acha no direito de tomar decisões sobre ambos! O cara podia dizer: -Eu não vou… -Não gostaria que tu fosse, mesmo comigo…. -Tu não acha que aquele lugar pode não ser divertido…. bla,bla,bla… mas eu, ainda acho que o cara só poderia dizer “-Não to afim de ir…” e poderia acrescentar um “porque….”.

Mas o que está em jogo ali, não é nada disso… é outra coisa… a própria guria falou que tratava-se de insegurança do sujeito.

As pessoas se acham donas das outras;

As pessoas têm medo de “perder” as outras;

As pessoas se comportam de formas diferentes quando estão solteiras ou “casadas”;

Eu não consigo entender isso tudo! Eu sei que é uma doença cultural, secularmente, adquirida… e eu, mesmo, já devo ter agido com essa doença (não quero esforçar-me para lembrar… suponho q tenha sido imbecil em algum momento, mas prefiro focar em minha versão atual – que já é bem antiga, é fato), mas eu entendo as relações de outro jeito:

1. Se eu me inclino para alguém, hoje, é pq aprecio a pessoa… seja lá por quê! Então, não posso querer mudar a pessoa, afinal foi DESTA pessoa que gostei.

2. Se a pessoa se inclina para mim (espero que não queira mudar-me) é porque ela gostou de mim, assim. Não preciso preocupar-me em “perdê-la”. Ela estava livre antes de me conhecer. Ela permanecerá livre, agora e sempre. Ela sempre poderá ir-se. É só essa possibilidade que me faz feliz por ter alguém comigo… se ela estiver presa por algum conceito social/moral externo, então eu não tenho certeza do quanto ela quer estar comigo!

3. O primeiro pilar de sustentação de uma relação é a amizade! Não posso amar alguém que não seja minha amiga! Pois amigos são pessoas em quem confiamos e que confiam em nós! Sem confiança, não há relacionamento.

Confiar, significa abrir-se, revelar-se… interagir, aceitar o outro, procurar entender suas fraquezas, anseios, desejos… sonhos, sonhar junto, e estar seguro de que não será apunhalado pelas costas! Não há qualquer relação com “fidelidade”. Este é outro tópico. Amigo é aquele que vai fazer o possível para te ajudar, pra te alimentar, para te promover, para tu seres feliz… e vai contar contigo para o mesmo. Amigo também vai aceitar ficar parado do teu lado quando tu não tens ânimo de fazer nada! E quando isso ficar perigoso, ele vai te dar o ânimo.

4. A lealdade é segundo pilar de sustentação, mas ela está intimamente relacionada com a amizade. E ela não tem nada a ver com “fidelidade”. O cônjuge não está proibido de ter libido, desejo e de realizar estes desejos com outra(s) pessoas… mas ele precisa ter um senso de respeito pelo ser que, alegadamente, ama. O cônjuge precisa ter, sempre, prioridade. Ninguém pode ser mais importante que ele. Talvez seja de bom tom avisar o que se passa antes de atuar na relação-extra… e também seja de bom tom avisar o extra quem é o principal, avisar que o principal é o principal… e que ele sabe que tu tens vida paralela.

4.1 Se tu avisa teu cônjuge do que se passa, dá-lhe direito de opinar, escolher, tomar uma atitude, por exemplo, “te deixar”. Isso é ser leal.

4.2 Se tu avisa o extra que tens o principal que o principal sabe o que se passa e “permite” pq entende que é a tua vida que tu estás vivendo, dá ao extra o mesmo direito de opinar, escolher e tomar uma atitude. Tu respeita-o como um ser, que ele também é.

4.3 Se tu, em teu “viver paralelo” descobre que o principal não é mais tão principal, precisa dizê-lo. E logo. E ambos poderão opinar, escolher e tomar alguma atitude. Podem continuar assim, podem mudar, podem separar-se… podem até “voltar” mais tarde… mas são decisões sinceras, tomadas juntos!

5. As pessoas são multi-facetadas! Multi-tudo! Estão em mutação eterna… é um absurdo “querer” que alguém esteja “preso” a ti, para sempre! Eu posso “te querer para sempre”…. eu posso te amar para sempre…. mas isto não tem nada a ver com tu estar comigo ou não. Se estiveres, então eu serei correspondido em meu amor e aí eu serei feliz. E serei feliz pq, sendo tu sabedora de minha posição, sabedora que te deixo livre, então se estás comigo é porque o queres assim. Algo (ou muito) em mim, te agrada o suficiente para tu me quereres como sendo teu “principal”.

A tendência natural do ser é, com o tempo, ligar-se cada vez mais a uma pessoa… cada vez mais, perdemos a necessidade de muitas relações…. e quando se tem alguém com quem se pode conquistar outras coisas, aos poucos isso se torna o mais interessante. E é possível que desapareçam os extras. Mas cada pessoa tem seu tempo. Ao mesmo tempo, a tendência natural do ser é ser poligâmico… ao início. Por encantar-se com muitas pessoas, por curiosidade, por necessidade de experimentar… porque somos atraídos pelas pessoas! Porque amamos a individualidade de cada um!

Mas estas duas tendências – que poderiam ser colocadas numa linha horizontal, uma em direção a outra, no decorrer do tempo) `tendem` a nos fazermos cada dia mais interessados naquele com quem convivemos mais…. a eterna descoberta do outro! Porque somos mutantes! Sendo mutantes, temos o que ser descoberto a cada dia.

Eu, particularmente, costumo relacionar-me com mulheres mais jovens. O que acontece? Elas estão em mutação… mas na juventude, esta mutação é intensa e rápida! Eu fico interessado o tempo todo! E eu participo desta mudança! Em contra-partida, eu tenho muita `história`… e elas têm muito o que descobrir de mim… ao mesmo tempo que eu também mudo, ao mesmo tempo que elas fazem parte da minha mudança, vão tomando conhecimento de outras mudanças que sofri…. até o dia em que tivermos dado conta de, praticamente, toda a história pregressa do outro (atente bem para o “praticamente”, pois ninguém consegue transmitir toda sua vida, nem absorver toda a vida do outro, nem se for gêmeo e crescer junto), então ambos passarão a construir as suas vidas, em conjunto… terão, apenas, a vida que envolve ambos! Mesmo que envolvam terceiros… não é disso que falo. Falo de que todas as ações serão, de certa forma, compartilhadas. Quando a comunicação se der pelo olhar, pelo andar, pelo silêncio, pelo sorriso, muito mais do que pelas palavras ou alegações. Quando ambos forem transparentes, um para o outro. E é claro, depois que se atinge este estágio, dificilmente, se quererá separar-se… se isto se dá, assim, num processo LIVRE, orgânico, gradativo, baseado em respeito, lealdade e compreensão. É nesta linha que falo da `linha horizontal de tendências`.

Mas se eu me relacionar com uma mulher mais velha, apenas haverá uma inversão de papeis, igualmente mágica.

E se eu me relaciono com alguém mais ou menos da minha idade, ambos teremos muita `história` para compartilhar e muita história para construir.

Ou seja, idade não faz diferença. A diferença é o jogo que se estabelece em cada situação. Ou, ainda, o jogo é o mesmo, as fases é que são diferentes.

De qualquer forma, sempre que o jogo tiver por base a amizade, o respeito e a lealdade, o jogo será prazeroso. Alguém reclamaria: E o AMOR? Bem, criatura, isso É o jogo! Senão teremos outro tipo de relação.

Entenda-se AMOR como sendo a relação de que falava… pq AMOR é uma palavra muito ampla e existe em qualquer tipo de relação. Até às avessas, muitas vezes.

Vou escrever muito mais, ainda sobre isso… pq aqui, eu simplifiquei horrores… para não perder o foco. Por hora, é isso.

Mas digo-vos: É muito difícil alguém entender isso tudo! Há quem diga que “entende”, mas não consegue conceber. Espero que venham os comentários, aí sim, poderemos desenvolver o assunto. Aí sim, este texto terá alguma utilidade.

Observações:
Quando disse que “eu tenho uma história”, não ignorei que a outra pessoa, por mais jovem que seja, também tem uma história. Apenas quis ressaltar que no caso em que sou mais velho, tenho uma história mais longa.

E quando digo “então ambos passarão a construir as suas vidas, em conjunto… terão, apenas, a vida que envolve ambos!”, não estou dizendo que as vidas viram uma só, estou dizendo que a partir deste ponto, o foco está no presente em direção ao futuro, as diferenças em relação ao tempo em que não estavam juntos ou não se conheciam, já foram açambarcadas, assimiladas, já não são objeto de curiosidade.

Non, Je Ne Regrette Rien

24 março 2011

Edith Piaf
Composição: Michel Vaucaire / Charles Dumont

Non… rien de rien…
Non… je ne regrette rien
Ni le bien qu’on ma fait,
Ni le mal – tout ça m’est bien égal!

Non… rien de rien…
Non… je ne regrette rien
C’est payé, balayé, oublié,
Je me fous du passé!

Avec mes souvenirs
J’ai allumé le feu,
Mes chagrins, mes plaisirs,
Je n’ai plus besoin d’eux!

Balayé les amours
Avec leurs trémolos
Balayés pour toujours
Je repars à zéro…

Non… rien de rien…
Non… je ne regrette rien
Ni le bien qu’on ma fait,
Ni le mal – tout ça m’est bien égal!
Non… rien de rien…
Non… je ne regrette rien
Car ma vie, car mes joies,
Aujourd’hui, ça commence avec toi!

Eu prefiro o flexível…

23 março 2011

Ilude-se o genioso que crê estar, no deixar-se ir, a evitar a dor! Morre na semente! Alega que a semente é efêmera como tudo o mais e que por isso é tolice ater-se à ela! E de que adianta não ater-se? Fugir do fim, visando o fim (sem fim)…. isso sim é um contra-senso!
Eu prefiro lamber a semente! Tomá-la entre os dentes! Observa-la de tão perto que não possa vê-la, mas possa sentir-lhe o sabor!
Não quero vê-la! Quero observá-la! Não preciso de precisão! Entrego-me à semente com toda a fúria e com ela cresço e germino efêmera e poderosamente! De semente, chegamos à árvore! Seja ela um carvalho ou um junco! E eu sempre prefiro o junco, ainda que a imponência do carvalho tenha sua beleza!
Eu prefiro o flexível… o que deixa que se passe por ele, mas sem deixar de sentir a carícia do vento que lhe curva a postura!

Por que deixa-se acorvardar diante do medo? Por que o medo de ter medo te faz ter tanto medo de deixar que as coisas fluam como forem?

Não te prendas à semente, nem a tema! Aprecie-a! Nunca saberás o que virá da semente (se ela vingar) sem parar para observa-la! Nunca saberás seu gosto, sem prová-la!

Sim, o medo é algo natural dos seres desta Terra…. mas os “destemidos”, assim o são, por escolherem enfrentar o medo! Não significa que eles não tenham medo algum, mas que decidiram arriscar! De que vale ficar vivo se não for pra viver?

Terão estas palavras compreensão naquela mente que se julga tão diferente? Tão alucinada? E que, de fato, eu aprecio!(?)…

Elúncidas tesmerofídicas

21 março 2011

Fora da mente está o que vem de dentro dela! Talvez esteja distorcido, talvez esteja equivocado… com certeza está insuficiente!!!
O carrossel psicodélico que movimenta o cérebro dá conta de muito mais do que o mundo!
Não se dá conta de si próprio, senão por viéses transversalizados de diversos si mesmos!
Este é o encanto do ser! Esta é a angústia do ser! Isto é o fato do ser! O ser é ser o que ser… presente contínuo… atemporal… o universo num plano incontido, entrecortado de pseudo-realidades infinitas e multi-facetadas!
As luzes e as sombras das luzes, bem como o brilho das sombras e toda a alucinação que liga tudo a tudo… todos sabemos!
O tudo está em toda a parte! Os chineses já diziam, desde sempre, que tudo vem do nada… que o vale é vazio e profundo… pq tudo, na verdade está dentro da mente! E a mente é uma abstração! Não há certeza alguma de que qq coisa exista! Ou que elas sejam, sequer, semelhantes ao que nos parecem, ao que se nos descrevem;;;;; O eterno por-vir é essa luz que nos faz sombra… e eu amo as sombras! Não pq elas ocultem qq coisa, mas porque nelas nada está revelado! É muito diferente uma coisa da outra! Não estar revelado significa não precisar dar satisfação, não precisar dar conta, não estar preocupado em “esclarecer” nada…. na luz, tudo é muito divulgado… e sempre há distorção do que é visto!
Tanto o é, assim, o viver, quanto as palavras… sempre que explicamos ou demonstramos ou revelamos, não conseguimos fazê-lo! Só conseguimos transmitir algo com alguma precisão, quando o interlocutor abstrai as palavras e percebe o nosso olhar, o nosso tom de voz ou o nosso gesto… ou a nossa respiração… ou nosso nada… quando ambos se sentam a vislumbrar uma paisagem! E conversam pelo reflexo que a natureza lhes transmite!

02. KUN – O RECEPTIVO

17 março 2011

livro primeiro:

Acima: K´UN, O RECEPTIVO, TERRA.
Abaixo: K´UN, O RECEPTIVO, TERRA.

O RECEPTIVO traz sublime sucesso, propiciando através da perseverança de uma égua.
Se o homem superior empreender algo e tentar dirigir, ele se desviará; porém se ele seguir, encontrará orientação.
É favorável encontrar amigos a oeste e ao sul, evitar amigos a leste e ao norte.
Uma perseverança tranquila traz boa fortuna.

A condição da terra é a devoção receptiva.
Assim o homem superior com sua grandeza de caráter sustenta o mundo externo.

Quando todas as linhas são seis, isso significa:
A perseverança constante é favorável.

O governante do Hexagrama é o Seis na segunda posição:
a) Reto, quadrado, grande.
Sem propósito, porém nada permanece desfavorecido.
b) O movimento do seis na segunda posição é reto, e por isso a linha se refere também ao quadrado. “Sem propósito, porém nada permanece desfavorecido”, pois a luz está contida na essência da terra.

Movimento….

14 março 2011

Sou uma música!
Mas, talvez seja uma composição de Tchaikovsky….

Libertação ou Liberação

14 março 2011

As transformações não se dão de uma hora para outra…. elas também não têm uma única causa, nem uma única conseqüência.

Todo um processo está sempre em curso… desde que morri, vem se desenvolvendo em mim uma série de transformações.
Algumas delas são bem interessantes, porque, na verdade, venho me tornando EU MESMO!
A cada dia, fico mais parecido comigo quando era adolescente ou criança.
Naquela época, porém, eu “era” em teoria…. digo, eu não podia agir como pensava/sentia… ou meu raio de ação era muito limitado.
Mas minha percepção de mundo era muito diferente da percepção de meus circunvizinhos…
Passei por todo um processo de decadência e “humanizamento”… aprendi a agir como uma pessoa “normal”, insuportavelmente.
Consegui estabelecer contato com os humanos, de forma que eles não me estranhassem muito, exceto depois de algum tempo de convívio.
Mas isto que descrevo é o passado… o tempo anterior à minha morte.
Agora, renascido, começo a reassumir minhas posições… porém, sobre outros aspectos da vida… sobre situações que na infância e adolescência não vivia.

Este processo, desencadeado a cada dia por um novo fator, vem despertar em mim, várias buscas… pela dança, pelo canto, pelo desenho e, agora, talvez, pela pintura… nunca antes, tive vontade de pintar!
De todas as “artes” com as quais tive algum flerte, a única que permaneceu comigo, desde sempre, foi a de escrever. Mas ela também foi maculada por longo tempo….
A primeira supressão foi quando a Andréia leu um texto meu, sem autorização e daquilo deu-se um horror, passei a escrever de forma cifrada… e, de fato, passei a escrever menos.
Um dia, queimei tudo o que escrevi! Foi um primeiro processo de renascimento…
Depois continuei a escrever, mas de forma mais compreensível para o externo, o outro.
Houve tempos de poesia, de devaneio, de ira, de delírio… e, agora, o tempo de libertar-se!
Tenho ímpetos de escrever livremente…. tenho vontade de escrever aqui, livremente… e farei isso!
Mas, por alguma consideração para com quem quer que seja que leia esta página, é interessante este preâmbulo…. para não pensarem que eu era “normal” e enlouqueci e sim para saberem que sempre fui “diferente”, só andei meio esmagado pela vida, mas agora, retorno às origens.

Mefistófeles

11 março 2011

E a vida retoma seu curso monocromático.