Sobre os relacionamentos…

Este é um dos meus assuntos prediletos, de fato. E, em sendo assim, converso muito sobre isso com diversas pessoas… e analiso muito.

Eu estranho demais essa coisa que denominam relacionamento (limitando-se aos relacionamentos entre “casais” – independente dos gêneros)…

Ouço as conversas de estranhos sobre isso em ônibus, restaurantes, RU, bares, filas públicas…. pelas ruas. E noto essa idéia recorrente de posse.

Há vários fatores que sempre se entrechocam: amor(significando o tal relacionamento), amizade, direitos, deveres, obrigações, proibições… dá até náuseas de escrever algumas destas palavras.

Vejamos o exemplo mais recente, obtido de uma conversa “roubada” no RU: Uma guria comenta que já disse ao atual namorado que se eles combinam ir a algum lugar e o cara desiste, ela vai sem ele… pq o anterior um dia lhe disse: “-Nós não vamos, mais… porque lá é uma putaria…”.

Me meti na conversa e perguntei qual o problema de ir a um lugar onde há putaria? No caso, era o aniversário de uma amiga que se daria numa danceteria normal, com fama de lugar de “caçação”. Perguntei, ainda, qual era o problema que o namorado achava de ir com a namorada num tal lugar?

O que me horroriza nestas histórias é imaginar alguém capaz de pronunciar uma frase destas: “-Nós não vamos…” Alguém se acha no direito de tomar decisões sobre ambos! O cara podia dizer: -Eu não vou… -Não gostaria que tu fosse, mesmo comigo…. -Tu não acha que aquele lugar pode não ser divertido…. bla,bla,bla… mas eu, ainda acho que o cara só poderia dizer “-Não to afim de ir…” e poderia acrescentar um “porque….”.

Mas o que está em jogo ali, não é nada disso… é outra coisa… a própria guria falou que tratava-se de insegurança do sujeito.

As pessoas se acham donas das outras;

As pessoas têm medo de “perder” as outras;

As pessoas se comportam de formas diferentes quando estão solteiras ou “casadas”;

Eu não consigo entender isso tudo! Eu sei que é uma doença cultural, secularmente, adquirida… e eu, mesmo, já devo ter agido com essa doença (não quero esforçar-me para lembrar… suponho q tenha sido imbecil em algum momento, mas prefiro focar em minha versão atual – que já é bem antiga, é fato), mas eu entendo as relações de outro jeito:

1. Se eu me inclino para alguém, hoje, é pq aprecio a pessoa… seja lá por quê! Então, não posso querer mudar a pessoa, afinal foi DESTA pessoa que gostei.

2. Se a pessoa se inclina para mim (espero que não queira mudar-me) é porque ela gostou de mim, assim. Não preciso preocupar-me em “perdê-la”. Ela estava livre antes de me conhecer. Ela permanecerá livre, agora e sempre. Ela sempre poderá ir-se. É só essa possibilidade que me faz feliz por ter alguém comigo… se ela estiver presa por algum conceito social/moral externo, então eu não tenho certeza do quanto ela quer estar comigo!

3. O primeiro pilar de sustentação de uma relação é a amizade! Não posso amar alguém que não seja minha amiga! Pois amigos são pessoas em quem confiamos e que confiam em nós! Sem confiança, não há relacionamento.

Confiar, significa abrir-se, revelar-se… interagir, aceitar o outro, procurar entender suas fraquezas, anseios, desejos… sonhos, sonhar junto, e estar seguro de que não será apunhalado pelas costas! Não há qualquer relação com “fidelidade”. Este é outro tópico. Amigo é aquele que vai fazer o possível para te ajudar, pra te alimentar, para te promover, para tu seres feliz… e vai contar contigo para o mesmo. Amigo também vai aceitar ficar parado do teu lado quando tu não tens ânimo de fazer nada! E quando isso ficar perigoso, ele vai te dar o ânimo.

4. A lealdade é segundo pilar de sustentação, mas ela está intimamente relacionada com a amizade. E ela não tem nada a ver com “fidelidade”. O cônjuge não está proibido de ter libido, desejo e de realizar estes desejos com outra(s) pessoas… mas ele precisa ter um senso de respeito pelo ser que, alegadamente, ama. O cônjuge precisa ter, sempre, prioridade. Ninguém pode ser mais importante que ele. Talvez seja de bom tom avisar o que se passa antes de atuar na relação-extra… e também seja de bom tom avisar o extra quem é o principal, avisar que o principal é o principal… e que ele sabe que tu tens vida paralela.

4.1 Se tu avisa teu cônjuge do que se passa, dá-lhe direito de opinar, escolher, tomar uma atitude, por exemplo, “te deixar”. Isso é ser leal.

4.2 Se tu avisa o extra que tens o principal que o principal sabe o que se passa e “permite” pq entende que é a tua vida que tu estás vivendo, dá ao extra o mesmo direito de opinar, escolher e tomar uma atitude. Tu respeita-o como um ser, que ele também é.

4.3 Se tu, em teu “viver paralelo” descobre que o principal não é mais tão principal, precisa dizê-lo. E logo. E ambos poderão opinar, escolher e tomar alguma atitude. Podem continuar assim, podem mudar, podem separar-se… podem até “voltar” mais tarde… mas são decisões sinceras, tomadas juntos!

5. As pessoas são multi-facetadas! Multi-tudo! Estão em mutação eterna… é um absurdo “querer” que alguém esteja “preso” a ti, para sempre! Eu posso “te querer para sempre”…. eu posso te amar para sempre…. mas isto não tem nada a ver com tu estar comigo ou não. Se estiveres, então eu serei correspondido em meu amor e aí eu serei feliz. E serei feliz pq, sendo tu sabedora de minha posição, sabedora que te deixo livre, então se estás comigo é porque o queres assim. Algo (ou muito) em mim, te agrada o suficiente para tu me quereres como sendo teu “principal”.

A tendência natural do ser é, com o tempo, ligar-se cada vez mais a uma pessoa… cada vez mais, perdemos a necessidade de muitas relações…. e quando se tem alguém com quem se pode conquistar outras coisas, aos poucos isso se torna o mais interessante. E é possível que desapareçam os extras. Mas cada pessoa tem seu tempo. Ao mesmo tempo, a tendência natural do ser é ser poligâmico… ao início. Por encantar-se com muitas pessoas, por curiosidade, por necessidade de experimentar… porque somos atraídos pelas pessoas! Porque amamos a individualidade de cada um!

Mas estas duas tendências – que poderiam ser colocadas numa linha horizontal, uma em direção a outra, no decorrer do tempo) `tendem` a nos fazermos cada dia mais interessados naquele com quem convivemos mais…. a eterna descoberta do outro! Porque somos mutantes! Sendo mutantes, temos o que ser descoberto a cada dia.

Eu, particularmente, costumo relacionar-me com mulheres mais jovens. O que acontece? Elas estão em mutação… mas na juventude, esta mutação é intensa e rápida! Eu fico interessado o tempo todo! E eu participo desta mudança! Em contra-partida, eu tenho muita `história`… e elas têm muito o que descobrir de mim… ao mesmo tempo que eu também mudo, ao mesmo tempo que elas fazem parte da minha mudança, vão tomando conhecimento de outras mudanças que sofri…. até o dia em que tivermos dado conta de, praticamente, toda a história pregressa do outro (atente bem para o “praticamente”, pois ninguém consegue transmitir toda sua vida, nem absorver toda a vida do outro, nem se for gêmeo e crescer junto), então ambos passarão a construir as suas vidas, em conjunto… terão, apenas, a vida que envolve ambos! Mesmo que envolvam terceiros… não é disso que falo. Falo de que todas as ações serão, de certa forma, compartilhadas. Quando a comunicação se der pelo olhar, pelo andar, pelo silêncio, pelo sorriso, muito mais do que pelas palavras ou alegações. Quando ambos forem transparentes, um para o outro. E é claro, depois que se atinge este estágio, dificilmente, se quererá separar-se… se isto se dá, assim, num processo LIVRE, orgânico, gradativo, baseado em respeito, lealdade e compreensão. É nesta linha que falo da `linha horizontal de tendências`.

Mas se eu me relacionar com uma mulher mais velha, apenas haverá uma inversão de papeis, igualmente mágica.

E se eu me relaciono com alguém mais ou menos da minha idade, ambos teremos muita `história` para compartilhar e muita história para construir.

Ou seja, idade não faz diferença. A diferença é o jogo que se estabelece em cada situação. Ou, ainda, o jogo é o mesmo, as fases é que são diferentes.

De qualquer forma, sempre que o jogo tiver por base a amizade, o respeito e a lealdade, o jogo será prazeroso. Alguém reclamaria: E o AMOR? Bem, criatura, isso É o jogo! Senão teremos outro tipo de relação.

Entenda-se AMOR como sendo a relação de que falava… pq AMOR é uma palavra muito ampla e existe em qualquer tipo de relação. Até às avessas, muitas vezes.

Vou escrever muito mais, ainda sobre isso… pq aqui, eu simplifiquei horrores… para não perder o foco. Por hora, é isso.

Mas digo-vos: É muito difícil alguém entender isso tudo! Há quem diga que “entende”, mas não consegue conceber. Espero que venham os comentários, aí sim, poderemos desenvolver o assunto. Aí sim, este texto terá alguma utilidade.

Observações:
Quando disse que “eu tenho uma história”, não ignorei que a outra pessoa, por mais jovem que seja, também tem uma história. Apenas quis ressaltar que no caso em que sou mais velho, tenho uma história mais longa.

E quando digo “então ambos passarão a construir as suas vidas, em conjunto… terão, apenas, a vida que envolve ambos!”, não estou dizendo que as vidas viram uma só, estou dizendo que a partir deste ponto, o foco está no presente em direção ao futuro, as diferenças em relação ao tempo em que não estavam juntos ou não se conheciam, já foram açambarcadas, assimiladas, já não são objeto de curiosidade.

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2 Respostas to “Sobre os relacionamentos…”

  1. Jorge De Araujo Says:

    Quando disse que “eu tenho uma história”, não ignorei que a outra pessoa, por mais jovem que seja, também tem uma história. Apenas quis ressaltar que no caso em que sou mais velho, tenho uma história mais longa.

    E quando digo “então ambos passarão a construir as suas vidas, em conjunto… terão, apenas, a vida que envolve ambos!”, não estou dizendo que as vidas viram uma só, estou dizendo que a partir deste ponto, o foco está no presente em direção ao futuro, as diferenças em relação ao tempo em que não estavam juntos ou não se conheciam, já foram açambarcadas, assimiladas, já não são objeto de curiosidade.

  2. Rafael Says:

    Relacionamento == Amizade!
    Sim, é esse o cerne de um relacionamento. Senão, relacionar-se não seria verdadeiro.
    Falo de relacionamento com amizade, pois só assim o tão falado “amor” acontecerá em sua -total- plenitude. Certo?
    SIM, CERTO!
    Amizade é tudo! Não vou citar o “tudo” (não teria como citar tanto) mas entendam que o tudo ali na amizade é simplesmente tudo aquilo que faz bem, que é leal a ambos. Isso inclui descobertas, aaamostragens, ensinamentos, troca…, e claro, sentimentos sinceros e mútuos. (os que fazem bem)
    Só assim, além de sentir-se amado, o melhor torna-se real: SABER-SE amado. Isso é na amizade implícito, real, vivo, palpável, confortante… é o nirvana do viver.

    E é aí que está o amor. Fora desse contexto pode ser qualquer coisa, menos amor.

    Assim fica fácil/simples ter alguém do lado!

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