Machismo

Não sei onde está um texto antiqüíssimo, que escrevi sobre isso… mas, vá lá… escreverei de novo.

Detesto esta divisão de gênero! Outro dia, escrevi em algum lugar sobre isso… que as pessoas podiam ter separado os seres pelo tipo de voz, estatura, cor do cabelo….mas não, foram se ater à genitália das criaturas. Pois bem, este dualismo “ideal” não serve para a sociedade…. até porque existem pessoas fora deste padrão genético.

Mas do ponto de vista da opção sexual, digo, da inclinação do desejo…. a sociedade, ainda, insiste em rotular as pessoas.

Se é hétero, gay, lésbica, transgênero, etc…. O que insisto é que ninguém “é”. As pessoas “estão”. Qualquer um pode mudar sua “opção”, sua inclinação, seus desejos, a qualquer momento! Seja por uma atitude consciente, seja por um acontecimento, seja por uma sucessão de acontecimentos, seja por nada!

Há quem jamais mude… mas eu quero chegar é no fato de que se a pessoa muda ou não muda, não importa! Ela “está”… mesmo que “esteja” sempre com as mesmas inclinações, desejos, etc…. mas insisto em dizer que ninguém “É”.

Tu és hétero? Achas que isto nunca vai mudar? Pois bem, então tu “estás” hétero. E vais continuar “estando” por toda a vida. Não estou duvidando de ti. Mas quero dizer que não há uma condição física que te “obriga” a “ser” algo… em geral, a condição física, induz o sujeito a “estar” alguma coisa… mas ela não é determinante.

Bem, dito isso, vamos discutir o que é esse tal “machismo”… – depois podemos discutir outros termos.
Vamos tentar definir “friamente”: Uma inclinação de alguém em privilegiar o “masculino”.

Até aí, nem seria tanto um problema. O problema é que para isto, ocorre, sempre, a depreciação do “feminino” (e tudo o que existir entre um e outro).

Mas por que isso ocorre?

Algumas hipóteses:

1. Os sujeitos compreendidos como “machos”, sentem-se extremamente frágeis e inferiores, que precisam proteger-se e, então, passam a enaltecer seu “gênero”;

Tá, não precisava de outras hipóteses…. mas vamos tentar criar, vesti-la de forma diferente.

2. Os tais sujeitos não são capazes de perceber nada além de seu campo limitadíssimo de percepção (ou visão, pq em geral esta gente só vê, não percebe)… então, tudo que estiver fora do compreensível, torna-se menos interessante. Em outras palavras, tudo o que eles não sabem lidar, é depreciado.

3. Eles foram criados assim.

Veja o que acontece com algumas destas desafortunadas criaturas: O boneco começa a crescer e seus pais começam a “testa-los”… Frases que ouvi no decorrer de meu desenvolvimento: “-Tu é um homem ou uma formiga?”, “-Homem não chora!”, “-Homem não faz isso!”… minhas respostas: -Sou uma formiga!, -Buááá!!, -Então não sou homem, porque já fiz!

Nem todas as crianças/adolescentes têm esta presença de espírito.

Na verdade, era fácil pra mim, não preocupar-me com comportamentos que pudessem dar a entender que eu não era homem, porque a imagem que eu tinha de “homem” era uma coisa muito estúpida, podre, insuportável. Quanto mais eu não parecesse com aquilo, tanto melhor. Na verdade, só quem pensaria isso seriam, justamente, os “homens”. E “homens” são o que menos me interessa no mundo. Pra mim, pouco importa (e sempre foi assim) o que os “homens” pensam de mim.

Quanto às mulheres, bem… algumas, realmente, não me importam. Mas a maioria têm percepção suficiente para identificar O QUE HÁ DE INTERESSANTE em mim! Pouco importa se denominam-me homem ou o que for.

Como disse, detesto rótulos.

Mas voltando às vítimas…. a criatura está se formando psiquicamente e as pessoas que ela mais preza (ou está mais ligada/obrigada) vive duvidando se ela é ou não é homem. Isto a fará pensar que ela pode ‘não ser’ homem.

E isto lhe levará a conflitos:

1. Homem não pode ter amiga, tem que “traçar” todas… bem, mas ele não se interessa por “todas”…. e ele tem amigas!

2. Homem não pode expressar carinho para com outro homem…. não pode tocar no outro, etc… mas ele AMA o amigo! Senão não seria amigo, não é? E ele sente carinho pelo amigo…. aquele carinho de irmão! Tem vontade de abraçar, acariciar os cabelos, beijar o rosto, a testa… segurar forte a mão dele para encorajá-lo! Como as criancinhas fazem nas “escolinhas”, nos antigos “jardins-de-infância”….

3. Há toda uma literatura falando que os guris têm curiosidades e experiências com outros guris no processo de crescimento e que isto é saudável…. (por sorte eu vivi rodeado de gurias e não precisei disso, heheheh)… se eu tivesse vivido estas coisas, eu poderia opinar de forma mais clara e, certamente, falaria aqui, abertamente – eu adoro chocar as pessoas!!! Mas, não sei se infelizmente, não posso chocá-los, agora.

Bueno, com os dois itens, acima, o sujeito pode ficar achando que não é “homem”, já que a vida contraria a teoria.

E aí o cara acha que se não é homem, então é outra coisa! E como não lhe dão muitas opções, ele acha que é gay.

Aí ele passa a agir como gay. Ou “enruste-se”… ou, ou, ou….

Mas, voltando ao “machismo”… o cara é exposto a estas situações, aí… e no processo de confusão, quer provar pra si mesmo que é homem! Porque vivem lhe cobrando isso…. Então ele passa a agir “como homem”…. a exaltar sua “masculinidade”…. o problema é que ele não sabe o que é isso! E os outros “homens”, também não sabem!

Porque isso não existe! Não existe “homem”!!! Isto é uma abstração!

Existem seres! Seres humanos. Estes seres têm sentimentos, percepções e desejos. E tudo isso vive em mutação. Ainda que essa mutação não fuja muito de uma determinada faixa para alguns ou muitos.

É assim que surge essa anomalia chamada machismo!

Há outras implicações e outros tipos de “machismo”… mas meus textos são muito longos… escreverei um livro sobre isso tudo, ainda!

Nota:

Quando digo “testa-los”, estou chamando atenção para o dado mais crítico. Ninguém fica perguntando pras meninas se elas são mulheres ou não. Logo elas crescem sem esta dúvida. Ainda que elas tenham inclinações diversas. Mas a demência faz com que os “pais”, na ânsia de que seus filhos sejam “homens” (esquecendo-se de que eles já são “homens”, ou pelo menos eram até que seus pais lhes questionassem sobre isso), passem a tentar `fortalecer` esta idéia na cabeça dos meninos… e provocam o inverso ou a confusão.

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4 Respostas to “Machismo”

  1. agatha Says:

    tu escreve muito bem

  2. Tamires Coelho Says:

    Adorei o texto, Jorge.
    Conversaremos muito a respeito disso ainda… =) Eu fiz muita pesquisa nessa área de gêneros e vai ser bom discutirmos… =D

    Abraço, tchê!

  3. Bremm Says:

    A diferenciação de gêneros era necessária no tempo das cavernas. Hoje, com a tecnologia disponível, não é mais.

    O que faz (muita) falta ainda, é o bom senso. E o primeiro passo é dado quando uma pessoa liberta-se dos dogmas e passa a aceitar as variáveis intrínsecas do sistema. Ou então, a entidade cede, como aconteceu há pouco na Finlândia.

  4. Ceres Arantes Says:

    grande! gostei muito!! Eu tb escrevo textos muito longos. Simples assim, quanto mais pensamos, ma is palavras surgem 🙂 Vc esceve bem e melhor, pass a mensagem com uma abordagem que alcança e não cansa. Paabéns!

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