Archive for outubro \22\UTC 2011

Quotidiano

22 outubro 2011

Tenho lido, pela internet, vários textos semelhantes ao que vou escrever abaixo. Eles querem transmitir uma idéia, uma informação, até…. mas falham pela mesmice, pelo preconceito, pela incapacidade de ir além. As pessoas sentem uma determinada coisa e logo querem rotulá-la, definí-la, “ajustá-la”… não se contentam em sentir. Os textos de que falo, tratam de um sentimento que anda assolando muita gente por aí e, em resumo, chamam a atenção para algumas belezas de relações estáveis e das relações monogâmicas. O que os torna insuportáveis, repugnantes, cansativos, nojentos, derrotistas e enfadonhos é que sempre são escritos descrevendo casais héteros e super-esteriotipados: mulheres dona-de-casa versus homens relachados, bêbados e fanáticos por futebol. Quando leio tais textos, tenho a impressão de que se trata de um texto de “auto-ajuda”, dizendo que “se tudo deu errado”, talvez o melhor seja agüentar uma merda de relacionamento e achar tudo lindinho. Eu morro de nojo e horror! Mas eu entendo de onde vem esta tentativa de falar sobre um sentimento… assim, cansado desse fracasso literário-comportamental alheio, resolvi dar uma mãozinha e escrever um texto que fale da mesma coisa, sem ser estúpido, retrógrado, derrotista, asqueroso ou conformista. Lá vai:

 

Uma parte

 

Chegou em casa, jogou tudo no sofá e foi direto pro banheiro lavar as mãos e o rosto com água fria…. olhou-se no espelho e apreciou a beleza da imagem… do sorriso, dos olhos de expressão tranqüila…. reparou que nem é um rosto tão fascinante assim, mas que é fascinante por ser o seu rosto! Ficou feliz por saber que existe alguém que pensa a mesma coisa sobre esse rosto…. ou até exagere um pouco mais! Foi pra cozinha saciar a angústia…. achou um bilhete sobre a mesa (por que não me mandou um SMS? – pensou)… ficou decifrando aqueles hieróglifos…: “- Báh! Não fiz nada que tu pediu, sorry… mas tem aquele pudim que tu adora, na geladeira! =D Beijos. Te amo!” …sorriu. -Tu não tem jeito, mesmo!

Pegou o pudim (hmmmm…), um copo de leite e sentou-se à mesa… ficou ali saboreando aquele “manjar dos deuses” (não era como seu amor se referia à sua macarronada quatro queijos?)… Enquanto saboreava o manjar e o leite gelado refrescava seu interior, tentava lembrar há quanto tempo repetiam-se certas coisas… de como era engraçado o jeito com que esta pessoa, sempre ‘escapava’ de suas broncas…. que tantas vezes pareciam ser provocadas de propósito – e, afinal, eu também não faço a mesma coisa?

 

A outra parte

 

Entrou sorrateiramente (já passava da 1h da manhã)… encontrou todas aquelas coisas no sofá… fez um sorriso torto e emitiu um “- tsc, tsc… Tu não tem jeito, mesmo!” …repetiu os mesmos movimentos que horas antes sua cara-metade fizera, de forma mais destrambelhada, é fato… deixando a margarina destampada, a torneira pingando… depois, entrou no quarto…. escorando-se no marco da porta, pôs-se a observar em silêncio…. admirou a beleza daquelas formas, metade sob o lençol, metade expostas maravilhosamente à meia-luz! Sentou-se delicadamente e passou a acariciar aqueles cabelos, cujo cheiro, algumas vezes, lhe vêm à mente, durante o trabalho e lhe deixa em devaneio…. tocou aquele rosto com as costas do indicador, deslizando de vagar…. aqueles lábios… depois foi beijando a testa, o rosto, o pescoço e foi-se deitando… se encaixando… “-vamos dormir de conchinha?” – lembrou da voz! e riu.

 

As duas partes

 

Que bom sentir este corpo quente, agora, no meio da noite… depois de um dia longo de trabalho, de tanta hipocrisia, mediocridade e superficialidade da sociedade moderna…. depois do peso do capitalismo, da globalização, do consumismo exacerbado, da lutas por não se sabe o     quê… de todas as provas e demonstrações de “sucesso”, recebidas e forjadas neste jogo chamado civilização…. que bom não ter que provar nada, só agora! Só por algumas horas, não precisar ser mais forte, mais inteligente, com maior poder de sedução…. não ter medo de ser “si”! Poder, por alguns instantes, desfrutar com alguém do simples prazer de estar…. mesmo que amanhã se tenha que fazer perguntas, se tenha que dar respostas, se tenha que fazer o que não foi feito, fechar as torneiras, guardar o que ficou no sofá…. saber que nada disso importa, que se o mundo terminasse, agora, só esta “conchinha” teria valor!

 

Este texto pode ser lido por qualquer pessoa…. pode tratar-se de duas mulheres, dois homens, um casal hétero… podem ser jóvens, podem ser adultos ou velhos…. podem ser de raças e crenças diferentes… podem ser PESSOAS, simplesmente. Simplesmente curtindo curtir com alguém. Não precisam vestir uniformes de homem ou de mulher, nem de nada. Sentimentos humanos são passíveis de humanos, independente de sua diversidade!

Ciclos²

21 outubro 2011

Como eu disse…. à uma seqüência de desgraças, sempre há de se suceder uma nova seqüência de graças.

Ante-ontem, começou meu ciclo reverso. Atendimentos de informática que renderam alguma grana, cinema, encontro com amigos, solução dos últimos problemas que a moto apresentava, conserto da injeção eletrônica do carro… e (o mais legal de tudo) retorno ao Projeto PESCAR!

Engajei-me com a função de orientar uma empresa “Júnior” do Pescar, na área de marketing e vendas. Não é lá, minha área de especialização, mas, afinal, eu sou um vendedor nato! =D Sempre vendi, pelo menos, idéias! E sempre fui um excelente vendedor nos locais que trabalhei com isso. Marketing, precisei fazer o meu durante o tempo que não fui empregado de ninguém, ou melhor dizendo, durante o tempo de autônomo.
De qualquer forma, mais do que o simples marketing, acredito que posso contribuir fortemente para o posicionamento profissional dessa galerinha. Já são mais de vinte anos lutando no mercado de trabalho… enfrentando crises econômicas, mudanças de planos e moedas, mudanças culturais que impactam no consumo e nas relações comerciais, luta contra o preconceito por eu ter cabelos longos e barba… sutilezas e grosserias, as mais variadas. Experiências com várias áreas de trabalho, da manufatura à indústria, dos serviços aos produtos mais técnicamente específicos…

Que venham as novas graças, agora! =D

Ciclos

16 outubro 2011

A vida é feita de ciclos…. vão e vêm, ininterruptamente….
Agora, estou sob um ciclo de desgraça. Tão conhecido!
Tudo vai dando errado com toda a harmonia da merda geral. Um fluxo bonito e contínuo… um acontecimento nefasto atrás do outro. Um balet gracioso de desditas e infortúnios… um espetáculo lindíssimo de desgraças… pequenas, minúsculas, contínuas… e outras maiores ou até gigantes! Uma beleza sem fim!
Ahhhh! Tanto já encenei esta coreografia!!! Tanto já dancei este balet!!! Sinto até um êxtase com tanta merda!! Uma certa felicidade vai se apoderando de mim…. primeiro, pelo quão conhecido é este ciclo!!! {muito mais conhecido do que os ciclos de bonanza}… segundo, pq já estou acostumado com a desgraça, de tal forma, que ela já não me causa grande horror… só um cansaço: “-Puta que pariu, tu de novo? Ok, ok, sente-se aí e desfrute de minha energia e meu azar, à vontade.” Terceiro, pq como tudo é cíclico, em seguida virá o ciclo bom. E quanto maior for o fundo da merda que eu mergulhar, tanto mais alto será o ápse que eu atingirei no movimento inverso. Portanto, que venha a merda mais fedida… que venha a desgraça como vier…. foda-se o mundo!
Se eu sobreviver (e sempre há a possibilidade de não sobreviver), então, a recompensa há de ser grandiosa. Nem que seja a simples recompensa de olhar pra desgraça e dizer: “-Viu? Não adiantou nada. Continuo aqui e seguindo adiante. Perdeste teu tempo, desgraça! Eu vou SEMPRE seguir adiante.”
Alguma hora, isso vai acabar.