Archive for fevereiro \23\UTC 2013

Da superficialidade (ou não) das relações

23 fevereiro 2013

Parece-me que as pessoas fazem muita confusão, também, nas relações repentinas!

Lendo uma reportagem que cita os filósofos Simon May  e Richard David Precht, bem como a psicanalista Regina Navarro Lins, tratando do que chamaram de “supervalorização do amor romântico”, vejo que a coisa é bem complexa.
Gostei, particularmente, desta frase do primeiro: “Nada humano é verdadeiramente incondicional, eterno e completamente bom.”

Eis alguns aspectos com que estou trabalhando [pensando] sobre o que me parece que as pessoas pensam:

Relações pré-taxadas de ocasionais ou efêmeras não merecem “profundidade”;
Intensidade “demais” numa relação só é aceita se se supõe que o `intenso` está apaixonado [e isso pode ser tido como ruim no caso do outro não estar afim de “algo sério”];
Não se pode dar a impressão de “valorizar” uma pessoa com quem não se pretende conviver [ou que não pretende conviver contigo];
“Respeito” é uma coisa que só se pode ter com o cônjuge “oficial”;

Depois tem aqueles aspectos mais doentios, tipo julgar que certas práticas sexuais são desrespeitosas ou degradantes de forma que só se pode praticá-las com quem não é teu cônjuge “oficial”.
Ora, deus meu!!! Se as pessoas gostam de fazer algo, por que deveriam fazê-lo, justamente, com quem elas não sentem grande coisa? Por que deveriam privar seu amores de prazeres específicos por questões “morais”?
Ou, ainda, se julgam tais práticas inadequadas, por às têm com algumas pessoas??   tsc, tsc, tsc…..

Enquanto não tenho uma conclusão mais desenvolvida, vou analisar as coisas pelo meu próprio prisma.

Eu sou um cara livre. Há 19 anos mudei minha forma de viver (isso vai desde a suspensão da ingestão de álcool, passando pela alimentação e meu modo de relacionar-me com as pessoas) e, neste assunto de relações afetivas/sexuais, recuso-me a fazer qualquer coisa que eu não esteja afim de fazer. Ou seja, se a Sharon Stone vier se chegando e eu não estiver afim naquele dia, não vai rolar. Simples assim. Também aceito “nãos”, tranqüilamente {não que eu não refaça propostas no decorrer da história, mas sei que um “não” (agora) significa “não”}.

Ao mesmo tempo se alguém me parece interessante, observo todos os detalhes possíveis desta pessoa. E me excito com suas mãos, seus cabelos, uma linha do pescoço… seu jeito de pronunciar palavras, etc. etc…. AMO-A, instantaneamente!!! Mesmo que eu esqueça disso, amanhã. Não posso saber do amanhã. Nem sei o que a pessoa quer, agora, ou vai querer amanhã.
Mas agora, neste instante, vou expandir todas as sensações ao extremo!!
E é por isto que em determinados momentos pode ser que a Sharon não vai levar… Tu tens que estar muito de boa e/ou muito afim pra conceber este momento com tal intensidade com uma pessoa específica.

Há pessoas que, de antemão, tu sente que não vai além das “relações efêmeras”… mas isto não lhe tira o valor como pessoa. E eu vou tratar esta pessoa com a mesma intensidade com que trataria alguém que julgo que poderia “ir adiante”.
É. Isto tem confundido algumas mulheres ao longo da história – por causa dos aspectos que listei ali, acima.

Há outras pessoas que, ao contrário, parecem-te interessantes para “seguir adiante”. Lá vou eu de novo com a mesma intensidade, mas talvez um pouco mais devagar ou menos direto…  não é uma atitude racional, minha. Acontece assim, geralmente. Mas minha base é sempre a mesma: As coisas só vão além se AMBOS quiserem. E este querer pode surgir depois de uma “relação repentina” ou supostamente “efêmera”… ou após várias relações repentinas.

Descompliquei esta coisa aí, das relações. Eu dou o que eu sinto! Faça o que quiser com isto! Dê-me apenas o que sentires vontade de dar-me! Se sentir vontade de doar até a alma, faça-o! Mesmo que no dia seguinte queira ir-se. Vou aceitar.
Vou aceitar que te vás, também. Porque pra mim não há diferença entre uma relação repentina e uma relação “duradoura”.
A segunda é só uma conseqüênca de diversas relações repentinas com a mesma pessoa.

E, como digo nos outros textos aí ao lado, sempre aceito a liberdade que as pessoas têm de “ir-se”! Afinal, eu também não ficarei se não sentir mais que quero.
C’est la vie!

Anúncios

Reciclar

22 fevereiro 2013

De tempos em tempos minha mente se renova!

Interessante é que isso se dá experimentando vivências/essências de vida de minha adolescência.
Geralmente, através de músicas.

Sinto algo e então busco uma música do passado… ou ela vem.

Sozinho em minha casa, em “silêncio” (exceto pela música em questão), reprocesso sensações e lembro de minhas posições à época.
Enlevo-me. Liberto-me. Fortaleço-me.

E (re)descubro que minha essência me agrada! Amo-me naquela ‘inocência’ juvenil. Uma inocência que não tem nada a ver com o que vocês associam a esta palavra. Inocência de não ter objetivos. Não de não ter objetivos na vida, mas de não ter intenções. Inocência de deixar fluir meu ser livremente e harmonizar com os seres que, por ventura, estivessem na mesma sintonia. Atemporalmente!

Lembro-me de um tempo em que eu era EU e o mundo estava, meramente, em torno de mim…. não, eu não me sentia o centro, não confundam as coisas. Eu estava TAMBÉM ali… eu e o mundo. O mundo significa todo o resto… ou seja, eu estava ali. Meu vizinho estava ali. O céu estava ali. A menina estava ali. Tudo e todos estavam ali. Nenhum era diferente ou mais ou menos ou igual que /aos demais. Infinitas realidades únicas, entrelaçadas, interligadas…. escorrendo [cada uma] por entre as demais… como plantas diversas que crescem enroscando-se numa cerca e nas demais, respeitando-se mutuamente, contudo.

Um existir puro [no sentido de exclusivamente inerente a mim, por favor não misturem isto com “moral”! Eu detesto o que chamam de “moralidade”, por aí….]. Quando ainda não precisava preocupar-me com o pensamento alheio. Quando ainda era EU mesmo “doesse a quem doesse, alegrasse a quem alegrasse”.
Atualmente (há já alguns anos) tenho me deixado ser EU mesmo, com muita força e cada vez mais.
Porém, tenho mais conhecimento sobre os equívocos de entendimento alheio. E por ter visto tantas histórias entortarem por mal-entendidos, tento esclarecer os mal-entendidos. É um erro, eu sei.

Mas, a vida é curta. Não, ela não é curta. Ela tem um “tamanho” lindo! Só que as pessoas desperdiçam esse tempo com imposições, dúvidas, confrontos, agressividade…. cada dia mais forte isso! Cada vez mais, as pessoas partem da intolerância e da agressão. É neste momento que vou buscar uma música!

Se não posso fazer muito pelos demais, farei por mim!

Virtual…

21 fevereiro 2013

quarta-feira, 6 de outubro de 2004

Tenho estado conectado quase que o dia inteiro… e isso tem me permitido acompanhar a moda internética… e-mails, orkut, messengers, blog, flogs…
Mundo louco, divertido, inusitado, imagético…. paradoxal. A moda é ser virtual… tu encontra uma pessoa na rua e ela pergunta: “-Tu tá no orkut?” Resposta: – Não, estou aqui, diante de ti! Uma pessoa aparece do nada no teu msn: “- O que você faz? … Deixa eu ver teu perfil?”
O mundo está se mudando pra dentro dos discos rígidos dos servidores ao redor do mundo!?!?! Não importa o que eu digo, na hora, na lata. Importa o que eu deixei como estandarte do meu ser… por mais falso que seja o estandarte, ele tem prioridade sobre minhas palavras.
As pessoas criam perfis virtuais e querem conhecer muita gente… aí tu te apresenta para alguém e a pessoa morre de desconfiança. Elas querem conhecer, mas não ter contato!!!!!!!!!!! Aí, tu te depara com o inverso… tu conhece uma pessoa e ela te trata bem, conversa, quer conhecer…. e tu descobre que ela quer namorar, ou transar ou algo do gênero. Não existe meio-termo, não existe espaço para o relacionamento orgânico… ou tu transa ou “sai da minha lista”! Ou transa ou é “bloqueado”, “preso”, et-cetera…
O outro aspécto gritante: No orkut há diversas comunidades assim: “Eu odeio agaraçrahah!” ou “Eu amo ahhagahah!” ou “Eu amo o MEU akljrçaghgha!”. As relações já são virtuais e ainda porcima são extremadas!
Estamos numa era do ODEIE ou AME…. e de preferência que o faça à  distância.
(…)
Um dia, li num livro de astrologia que o mundo estaria na Era de Aquário, por esta época e que isso faria com que a comunicação se tornasse vertiginosa, que toda informação circularia indiscriminadamente ao redor do globo em alta velocidade… Noutro livro, também de astrologia, falavam justamente isso… que nessa época tudo estava sendo tratado em frias telas de computadores [apesar das telas serem quentes, normalmente], na verdade a autora referia-se a dados estatísticos sobre fome e miséria… que as pessoas estavam tentando reduzir os números da dor e não a dor em si… – foi o q entendi. De qualquer forma, a visão astrológica já nos apontava pra esse mundo virtual… globalizadamente individualista. Mas, veja bem: Eu sou Aquariano e estou chocado com tudo isso!!!!!! Apesar de entender os processos e as tendências, apesar de ser um pouco assim, ultra-relacionado mantendo meu ultra-individualismo, choca-me a velocidade e a dimensão que estas características estão se propagando e arraigando….
Será que um black-out geral e prolongado não seria benéfico?????

Ciúme

20 fevereiro 2013

Ô palavrinha demoníaca.

Discutindo com o Rolf sobre isso, sustentei que não sinto essa coisa aí.
Digo que há outros dois sentimentos que se disfarçam disso, a saber: Inveja e insegurança.
Isso porque ou sentimos uma angústia tal quando quem nos interessa dispensa mais atenção a outrém do que a nós [então sentimos inveja] ou porque angustía-nos quando a pessoa que com quem nos relacionamos possa estar dedicando mais atenção a outrém, do que a nós [então sentimos insegurança].
Sim, eu já fui inseguro e um “merda” em ocasiões doentias [beeem doentias] do passado… odeio lembrar disso. Mas, cresci e passei desta fase.
Há cerca de treze ou quatorze anos eu me curei dessa doença maldita da insegurança [graças a uma MULHER MARAVILHOSA com quem namorei e que elevou meu grau de auto-estima a níveis extratosféricos – tipo assim: se ESTA mulher me AMA, eu também posso ser “O MÁXIMO”!!!!] – até hoje não sei por que não me casei com ela!!
Restou a situação em que posso sofrer de “inveja”. Esta situação ocorre quando eu estou interessado em alguém e a pessoa ainda não “ficou” comigo.

Até que eu consiga “ficar” com a pessoa [ficar no sentido amplo e profundo da palavra] então estou em desvantagem…. pode acontecer de eu não conseguir ficar com a pessoa por ela acabar se envolvendo com outra pessoa. Neste ponto sinto “ciúme” de outros que possam estar à sua volta e tal.
Mas, tão logo eu consiga “ficar” com a pessoa eu atinjo meu estado de segurança.
Não… não é uma pretensão [embora haja uma boa carga disso] é apenas pelo fato de que, a partir deste momento, a pessoa pode ESCOLHER.
Sabedora, ela, de qual grau de satisfação atingimos um com o outro, supondo que eu ainda esteja acreditando nesta relação (porque algumas vezes, a gente muda de idéia depois de algum tempo juntos, depois de certas descobertas, sensações….), poderá escolher entre expandirmos ou deixar pra la.

Mas veja, chegado este momento, resta-me apenas regozijar-me com a continuidade ou lamentar seu fim.

O tal do ciúme de que  falam é um doença nojenta, podre, mesquinha que está associada à síndrome de inferioridade…. pq pra mim a coisa mais humilhante e sem sentido é tu “pedir” pra alguém “ficar” ou “voltar” [Wough… me retorço de nojo de pensar nisso…. sinto náuseas… sério! Senti MESMO uma sensação ruim no estômago, enquanto escrevia].

Tu vais pedir pra pessoa não te deixar “por favor”!? A pessoa vai te fazer UM FAVOR????
Tu te contenta com “favores”? A pessoa não precisa te amar, não precisa gostar de ti, não precisa sentir nada de bom por/contigo? Ela pode ficar “por pena” de ti?

Tu não quer que ela fique com outra pessoa porque senão ela vai “te magoar”?
Não é porque ela tem vontade de ficar com outro?
Se a criatura tem uma inclinação, ela TEM uma inclinação, meu caro. Tu não tem nada a ver com isso!
Tu impedí-la de fazer algo a contra-gosto dela só pq “tu não quer” é uma doença!

Que diferença faz se ela tem contato físico ou não com outra pessoa?
Quando “pensou”, ou seja, quando “sentiu”, já foi, meu caro. O resto é só consequência… consumado ou não, a sensação já surgiu. Tu não pode fazer nada (e nunca pode!!!) quanto a isto. A única coisa que tu pode fazer é manter-se interessante! E torcer para que teu grau de interessantismo seja maior do que o dos outros.

Eu prefiro que a pessoa vá la e gaste o seu desejo, se o tem, e depois esqueça a outra pessoa. Do que fique comigo pensando em outra.
Aí meu amigo Rolf me indaga: “-E se ela resolve ficar com a outra pessoa?”
Bom, aí ela fica. Resta-me o “lamento”.

As pessoas são livres. Eu só quero ao meu lado [e eu digo isto há mais de vinte anos] alguém que QUEIRA ESTAR AO MEU LADO. Do contrário, vás!
Não quero favores, não quero gente com pena de mim. Não quero gente fraca.

Quero gente que me ame. Que se encha de tesão por mim. Que me deseje…. que deseje estar ao meu lado divertindo-se comigo. Não importa se vamos fazer sexo ou não vamos, se vamos viajar, pintar paredes, andar de bicicleta, tomar chá juntos, conversarmos, exasperarmo-nos com a humanidade ou rirmos muuuuuuuuito…. Seja la o que for que resolvamos fazer juntos, que seja UNICAMENTE porque resolvemos isso. Desejamos isso. Escolhemos isso.

Claro que eu prefiro que tu só tenhas olhos pra mim. Claro! Mas enquanto não for possível pra ti assim, seja como for. Só não me deixe em segundo plano.
Isso eu não admito. Eu tenho que ser a prioridade. Porque é assim que eu trato minha cônjuge. Se, por ventura, eu tiver outras atrações, elas serão secundárias.
Confesso que no meu atual estágio de desenvolvimento e já tendo experienciado uma relação monogâmica por oito anos [unicamente porque não quis ter relações paralelas] sinto que o mais natural seria eu dedicar-me mais exclusivamente a alguém… não tenho mais necessidade de ‘fazer número’, nem curiosidades puerís…. algumas dezenas de relações por algumas dezenas de anos já me foram suficientes em termos de curiosidade. Sim o terreno das relações é infinito, mas não dá pra abraçar o mundo. Não tenho tempo, dinheiro e nem vontade disso tudo….. SE eu tenho uma relação com algúem que me satisfaça. E satisfazer-me é fácil! Basta não me impor nada e demonstrar que gosta de mim estando comigo de vez enquando…. mas estando de corpo e alma! O que tu fazes quando não está comigo é problema teu. E vice-versa.

É.. eu, facilmente, me apego a uma mulher segura e feliz. Seja tipo assim…. escorpianina, entende? Envolva-me, inunde-me, transborda-me… me encha de beijos, carinhos, sexo, convites e não me faça cobranças. Depois saia porta afora e não me diga onde vai. Só quero pensar no momento em que voltarás!!!

Eu sei que cedo ou tarde tod@s @s outr@s perderão a graça! Ou, eu perderei a graça. C’est la vie. Não sou dono das pessoas. Nem quero que alguém se ache dona de mim. Quero alguém que sinta que me atrai, que me encanta, que “me possui” porque EU quero estar assim possuído. E não tenha dúvida! Tu vais perceber se tu és essa pessoa ou não. Só te peço que entenda!

Mas assim… veja bem: Quando eu me interesso por alguém, eu faço isso… eu inundo a pessoa! Na maioria das vezes a pessoa não entende isso e foge! De fato, ela não estava preparada pra isso ou não estava afim disso… de fato, não era pra ser. Mas, se a pessoa “fecha” com isso, então ela vai receber isso e vai curtir isso! Foi assim que tive namoradas e esposa. Quando um dos dois enche o saco, termina. Só isso. Eu não vou ficar me “refreando” pra não te assustar. Basta não me tomares por outros. Os outros sufocam as pessoas pq não lhes dão liberdade. Eu te sufoco, mas só quando estás comigo. Assim, podes respirar por aí.
Sim, eu sufoquei as mulheres que fugiram…. foi um pouco sem querer, mas foi um pouco por querer… se tu agüenta é pq eu sou muito interessante pra ti…. senão agüenta, bem…. não perca tempo comigo, nem consuma o meu tempo!

Eu só vivo o presente! E eu vislumbro o futuro, meramente.

Aborto

4 fevereiro 2013

Muito bem. Vamos à polêmica das polêmicas!
Há anos venho pensando e discutindo este assunto e não consigo formulá-lo…. agora, mesmo, como todos os textos que escrevo, não sei o que será escrito. Quando o resultado não é o esperado, eu não publico. Vamos ver se publicarei este!

Aborto.

A palavra me agride. Chamo isto de assassinato, simplesmente. Não importa se sou a favor ou contra. É um assassinato e pronto. Disso ninguém me convence do contrário. Mas, vamos à discussão sobre sua aplicação.
1) Primeira discussão:
Por lei, ele é permitido nos casos de violência, má-formação fetal ou risco de vida para a mãe.
Até aí, tudo bem. O problema está na morosidade da justiça.
Em cada um destes casos é necessário obter documentos comprobatórios do problema e levá-los à aprovação da “justiça” para executar o procedimento. Isso faz com que alguns casos demorem tanto que ao conseguir-se a liberação já não é possível executar o tal procedimento por oferecer risco à mãe. Outro problema é a pessoa ter que suportar uma gestação problemática por longo tempo, causando todo tipo de constrangimentos e problemas psicológicos decorrentes disso tudo.
–Sugestão para resolver este caso:
Permitir aos médicos executarem o procedimento sob declaração de próprio punho da gestante, isentando-o de culpa pelo “crime” e fazendo correr, somente, contra a gestante quaisquer acusações que, por ventura, sejam feitas. Permitindo a ela que se defenda como acontece como em qualquer outra situação “criminal”.
2) Segunda discussão:
Outros motivos para o assassínio.
Báh! Essa vai longe… Em princípio, parece-me estranho que alguém reivindique autonomia sobre seu próprio corpo, alegando ser capaz disso, mas esta mesma pessoa não ser capaz de evitar a gravidez.
Sim, estou falando “da boca pra fora”, de certa forma,  pq na adolescência, mesmo já tendo um filho, eu cometi vários deslizes que, por sorte, não resultaram em gravidez. O que aconteceria se tivesse resultado em gravidez? Com certeza, o mesmo que aconteceu com o primeiro filho… eu abraçaria a causa, pq esta é minha posição diante das coisas. Faz, assume. Mas, houve períodos de incerteza….
Bom e quanto às outras pessoas? As mulheres que “deslizam” e não há um HOMEM de verdade pra segurar a bronca? E esta e a aquela situação? Ok, ok, são nuances demais! Vamos enumerar algumas:
2.1) Deslize quando o “homem” não segura a onda;
2.2) Deslize quando o Homem segura a onda, mas a mulher não quer;
2.3) Gravidez porque o “homem” não quis usar o preservativo;
2.4) Preservativo falhou;
2.5) Preservativo não foi usado corretamente (não sabem o que aconteceu);
2.6) Gravidez decorrente de sexo realizado sob efeito de substâncias que alteram a consciência;
2.7) Loucura ou assemelhados (a pessoa alega que não sabe como está grávida ou não sabe quem é o pai e não tem como descobrir pq não sabe a quem solicitar exame de DNA!);
2.8) A pessoa não pensava sobre isso… achava que se ficasse grávida, seguraria a onda, daí descobre que não.
2.9) O pai da criança morreu e a mãe não quer levar adiante, ou pq “não tem condições” ou pq isso foi um alívio.
Será que existem outras situações?
Pois então… aconteceu algo que eu supunha que aconteceria…. acho que mudei meu posicionamento.
Na verdade, outro dia, conversando com a Ciça, eu acho, eu recebi uma luz… em parte quando ela falou que a liberalização do assassínio em questão viria com todo um trabalho de acompanhamento da “mãe” e de educação popular…. é, eu sei que isso é utópico. Educação popular… se fosse possível fazer isso, seria possível ensinar as pessoas a prevenção… bom, mas tem os sub-casos que elenquei acima…. =/

Pois é… acho que a merda ta grande demais. Acho que o jeito é liberar, mesmo. Ninguém em sã consciência vai procurar um médico pra passar por tal procedimento. Hoje, talvez uma desavisada procure um “médico”, uma “clínica” que só quer grana e seja encorajada a fazer isso apenas pq estes querem sua grana. Num cenário em que seja consultado um Médico, este partiria do princípio ético de zelar pela vida e exporia com clareza tudo o que envolve tal decisão. Seria necessário um acompanhamento psicológico pré-procedimento.

Sabemos que médicos inescrupulosos vão executar zilhões de abortos pra receber sua verba do SUS… mais fácil do que ter que manter uma clínica clandestina…. mas, pelo menos, registrando no SUS, o risco de morte da “mãe” diminui.

Vinte e três anos depois, eu mudo de opinião sobre o assunto, de um modo geral.
Claro que minha posição diante do aborto quando EU estou envolvido, continua sendo CONTRA.
Aliás, esqueci de discorrer sobre este detalhe, no texto, acima. Terei que escrever outro texto, outro dia.