Aborto

Muito bem. Vamos à polêmica das polêmicas!
Há anos venho pensando e discutindo este assunto e não consigo formulá-lo…. agora, mesmo, como todos os textos que escrevo, não sei o que será escrito. Quando o resultado não é o esperado, eu não publico. Vamos ver se publicarei este!

Aborto.

A palavra me agride. Chamo isto de assassinato, simplesmente. Não importa se sou a favor ou contra. É um assassinato e pronto. Disso ninguém me convence do contrário. Mas, vamos à discussão sobre sua aplicação.
1) Primeira discussão:
Por lei, ele é permitido nos casos de violência, má-formação fetal ou risco de vida para a mãe.
Até aí, tudo bem. O problema está na morosidade da justiça.
Em cada um destes casos é necessário obter documentos comprobatórios do problema e levá-los à aprovação da “justiça” para executar o procedimento. Isso faz com que alguns casos demorem tanto que ao conseguir-se a liberação já não é possível executar o tal procedimento por oferecer risco à mãe. Outro problema é a pessoa ter que suportar uma gestação problemática por longo tempo, causando todo tipo de constrangimentos e problemas psicológicos decorrentes disso tudo.
–Sugestão para resolver este caso:
Permitir aos médicos executarem o procedimento sob declaração de próprio punho da gestante, isentando-o de culpa pelo “crime” e fazendo correr, somente, contra a gestante quaisquer acusações que, por ventura, sejam feitas. Permitindo a ela que se defenda como acontece como em qualquer outra situação “criminal”.
2) Segunda discussão:
Outros motivos para o assassínio.
Báh! Essa vai longe… Em princípio, parece-me estranho que alguém reivindique autonomia sobre seu próprio corpo, alegando ser capaz disso, mas esta mesma pessoa não ser capaz de evitar a gravidez.
Sim, estou falando “da boca pra fora”, de certa forma,  pq na adolescência, mesmo já tendo um filho, eu cometi vários deslizes que, por sorte, não resultaram em gravidez. O que aconteceria se tivesse resultado em gravidez? Com certeza, o mesmo que aconteceu com o primeiro filho… eu abraçaria a causa, pq esta é minha posição diante das coisas. Faz, assume. Mas, houve períodos de incerteza….
Bom e quanto às outras pessoas? As mulheres que “deslizam” e não há um HOMEM de verdade pra segurar a bronca? E esta e a aquela situação? Ok, ok, são nuances demais! Vamos enumerar algumas:
2.1) Deslize quando o “homem” não segura a onda;
2.2) Deslize quando o Homem segura a onda, mas a mulher não quer;
2.3) Gravidez porque o “homem” não quis usar o preservativo;
2.4) Preservativo falhou;
2.5) Preservativo não foi usado corretamente (não sabem o que aconteceu);
2.6) Gravidez decorrente de sexo realizado sob efeito de substâncias que alteram a consciência;
2.7) Loucura ou assemelhados (a pessoa alega que não sabe como está grávida ou não sabe quem é o pai e não tem como descobrir pq não sabe a quem solicitar exame de DNA!);
2.8) A pessoa não pensava sobre isso… achava que se ficasse grávida, seguraria a onda, daí descobre que não.
2.9) O pai da criança morreu e a mãe não quer levar adiante, ou pq “não tem condições” ou pq isso foi um alívio.
Será que existem outras situações?
Pois então… aconteceu algo que eu supunha que aconteceria…. acho que mudei meu posicionamento.
Na verdade, outro dia, conversando com a Ciça, eu acho, eu recebi uma luz… em parte quando ela falou que a liberalização do assassínio em questão viria com todo um trabalho de acompanhamento da “mãe” e de educação popular…. é, eu sei que isso é utópico. Educação popular… se fosse possível fazer isso, seria possível ensinar as pessoas a prevenção… bom, mas tem os sub-casos que elenquei acima…. =/

Pois é… acho que a merda ta grande demais. Acho que o jeito é liberar, mesmo. Ninguém em sã consciência vai procurar um médico pra passar por tal procedimento. Hoje, talvez uma desavisada procure um “médico”, uma “clínica” que só quer grana e seja encorajada a fazer isso apenas pq estes querem sua grana. Num cenário em que seja consultado um Médico, este partiria do princípio ético de zelar pela vida e exporia com clareza tudo o que envolve tal decisão. Seria necessário um acompanhamento psicológico pré-procedimento.

Sabemos que médicos inescrupulosos vão executar zilhões de abortos pra receber sua verba do SUS… mais fácil do que ter que manter uma clínica clandestina…. mas, pelo menos, registrando no SUS, o risco de morte da “mãe” diminui.

Vinte e três anos depois, eu mudo de opinião sobre o assunto, de um modo geral.
Claro que minha posição diante do aborto quando EU estou envolvido, continua sendo CONTRA.
Aliás, esqueci de discorrer sobre este detalhe, no texto, acima. Terei que escrever outro texto, outro dia.

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2 Respostas to “Aborto”

  1. Eduardo Says:

    Gostei do texto.
    Apenas uma correção: deslize é com “Z,” e não com “S”. Meu olhar “Grammar Nazi” me deixou inquieto, desculpe.
    Quanto ao procedimento ser realizado pelo SUS, considere que em países como os EUA e China têm suporte do governo para o aborto, mas o risco não é necessariamente diminuído.
    Peço que consideres também, os transtornos psicológicos e a dificuldade para novas concepções devido ao trauma do aborto.

    • epintula Says:

      Obrgado, Eduardo! Já corrigi. Aliás, foi engraçado, porque acima escrevi “deslizes” com Z e em seguida, com S quando escrevi no singular! o/

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