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É que a televisão me deixou burro, muito burro demais!

28 março 2013

Jovens têm muita atitude!!! Têm energia! Têm coragem! Têm ansiedade, também! Têm ingenuidade, também! Têm inexperiência, também.
Assistimos muitos filmes e documentários sobre protestos em época de ditadura…. lemos reportagens, vemos fotos. Assistimos ao telejornalismo e videos na Internet sobre revoltas e manifestações ao redor do mundo. E vemos, diariamente, os abusos de nossa “política”. Tudo isso nos revolta!!

Queremos protestar, também! Queremos mudar isso!

Só que essa juventude mete os pés pelas mãos.

Fazem metade das coisas direito e outra metade, completamente errado. Absurdamente, errado.

Protestando contra o corte das árvores ou contra o aumento da passagem, bloqueamos o trânsito. Chamamos a atenção da midia, saímos nos jornais e nas redes sociais… damos um recado ao Governo de que estamos insatisfeitos.
Porém, esquecemos contra quem estamos brigando. Acostumados com video-game, futebol, e videos de guerrilha, empregnamo-nos de um sentimento de “uns contra outros”. Os que não estão no meu time, são adversários, são inimigos! E partimos para a violência.

Ora vejam bem: Não se engrossa um movimento agredindo ou atrapalhando nossa prórpria gente!
Quando se pára o trânsito, intransigentemente, quantas crianças ficam a espera de seus pais? Quantas meninas e mulheres vão andar sozinhas em ruelas escuras nas vilas ou em bairros menos movimentados, mais tarde do que de costume? Quantos idosos não receberão seu remédio a tempo ou não terão suas fraldas trocadas?

Motociclistas são derrubados, motoristas são xingados, ônibus são alvejados por pedras com passageiros (e motoristas e cobradores) dentro! Ânimos são exaltados e a polícia (que alguns de nós tenta convencer a ficar do nosso lado) é provocada e entra-se em choque direto com ela. Quantos manifestantes são agredidos pela polícia? Quantos deles correram risco de vida ou virão a apresentar seqüelas no futuro?
Isso que se está fazendo é uma IMBECILIDADE!

Não estamos numa guerrilha! O povo não é nosso inimigo (por enquanto)! Que necessidade é essa de agressão?

Nosso objetivo não é causar problemas para as outras pessoas. Nem para nós mesmos. Nosso objetivo é criar visibilidade para os movimentos e assim, CATIVAR mais simpatizantes. Que simpatia conseguiremos divindo o próprio movimento – como me vejo agora obrigado a gritar?

Vamos pra rua, SIM! Vamos parar o trânsito, SIM!! Mas vamos fazer isso com sabedoria. Pára-se o trânsito por 15 minutos. Depois, libera-se uma pista e deixa-se as pessoas viverem ou sobreviverem!!

Vamos cercar a prefeitura, SIM! Mas por que depredá-la? Por que jogar tinta? Por que provocar tumulto dando motivo à polícia para bater na gente? Somos idiotas? É a polícia que determina o preço da passagem? É a polícia que corta as árvores?

Vamos então invadir a Câmera de Vereadores TODOS os dias! Vamos impedi-los de trabalhar até que façam alguma coisa. Vamos apitar e bater panelas na volta da prefeitura o dia inteiro. Mas não vamos usar de violência física, nem vamos atrapalhar a vida das pessoas.

Eu também quero a passagem mais barata! Mas eu não sou burro! Nem sou egoísta! Nem falta-me respeito para com as demais pessoas. Elas têm até o direito de achar a passagem justa! Têm até o direito de não participar dos protestos!! E quantos ali dentro dos ônibus e automóveis não gostariam de estar com a gente, mas não podem!?!

Sejam HUMANOS e RACIONAIS, antes de serem MANIFESTANTES.

X x XX

25 março 2013

Algumas vezes umas “meias-idéias” assaltam-me a mente…. é uma espécie de esboço de idéia.
Daí eu fico pensando sobre aquilo e tentando achar sentido para o pensamento relâmpago que tive.. Ah! Então chama-se ‘lampejo de idéia’ !

Meu lampejo, desta vez, foi sobre esta violência descabida contra as mulheres, por parte dos homens.
Estava aturdido sobre o porquê destes ‘auto-entitulados’ “homens” (coisa que não são nem por sonho ou delírio) agredirem as mulheres como se às odiassem de todo o coração, a despeito da característica natural e óbvia do ser XY inclinar-se para o ser XX e vice-versa, para a perpetuação da espécie [que é o propósito único dos seres biológicos, antes de se passar para os estágios mais complexos que envolvem razão e decisão].

Sempre que vejo um suposto homem menosprezando uma mulher penso que ele tem inveja dela, por ela ser uma Mulher enquanto que ele não passa de um…. ‘homem’. Penso que toda esta revolta só pode ser proveniente de uma sensação de inferioridade.
Porque, veja, tu não vês os homens humilhando os ratos, as moscas, as rãs…. ou qualquer ser que, pelo senso popular, seja tido como ‘inferior’ à raça humana.
As pessoas só atacam o que lhes ameaça. O que lhes está obstruindo algum ganho.
Se tu quiser discutir que tribos fortes atacam tribos fracas, vais observar que fazem isso pra tomar um espaço físico ou algum “bem” que estes ‘fracos’ tenham. Não é por sadismo puro [ainda que existam sádicos, como também há os cruéis que maltratam os ratos, as moscas, as rãs….].

Pois bem…. partindo do ódio masculino às mulheres… fiquei pensando onde estaria este ódio? A orígem deste ódio. O lampejo foi em relação a esta inveja contra as mulheres e, instantaneamente, me veio o cromossoma X à mente.
Um lampejo não é uma coisa linear. Por isto este texto é chato de escrever…. já que tenho que escrevê-lo “linearmente”… seguirei o raciocínio, assim.

Claro, o simples fato de ser Homem talvez não seja suficiente para invejar as mulheres. Ou talvez seja. Vai depender da tua capacidade de percepção e racionalização para que esta inveja deixe de ser inveja e restrinja-se à admiração – pq, afinal, inveja tem algo de admiração, não será?

Buscando um pensamento antigo, meu…. lá dos tempos da adolescência… aulas de biologia do segundo grau, concluí que, se as mulheres são XX e os homens são XY, então os homens são mulheres defeituosas. Para colaborar com esta versão, vêm em meu auxílio as mitocôndrias. Se somente mulheres transmitem mitocôndrias para seus filhos, toda a humanidade trás mitocôndrias de uma matriz feminina primordial. Logo, o feminino precede o masculino.

Além disso, se analisarmos as estruturas genitais dos humanos, observamos que o pênis é, apenas, um clitóris desenvolvido.  Eu tive oportuindade de ver um video que um colega assistia no seu PC, em que aparecia uma genitália “fora do padrão”…. de tal sorte que se percebia PERFEITAMENTE que o que forma os lábios maiores na mulher, vão formar o revestimento do pênis no homem e a parte mais inferior vai fechar-se formando a bolsa escrotal.
Infelizmente, não tenho o video para publicar.  Mas ok, podemos ignorar este adendo.

Fiquei então imaginando que no cerne da biologia masculina há uma inconformação por termos apenas um X… perdemos nossa perfeição! Mas as mulheres, por obra do acaso, permanecem perfeitas.

Em mim, esta condição traduz-se em admiração eterna! Reverencio eternamente a perfeição feminina!
Mas isto se dá pq em tudo eu sou assim. Admiro o que é admirável, desejo alegrias, porém não desejo TODA  a alegria do mundo… não quero ser “rico”, não quero ser dono do mundo, nem de muitas coisas, nem quero ser dono das pessoas…..

Bom, os outros sujeitos que têm esta componente da “ganância”, quando se trata de X, então eles ficam revoltados com quem tem dois X que eles não têm e NUNCA terão!

Acho que, entendi, finalmente que um machista, nada mais é do que um sujeito que não se conforma por não ser mulher!!!

Da precariedade das relações

10 março 2013

Pressa. Objetividade. Repetição. Regra. Dever. Obrigação. Cobrança. Mecanicidade/maquinal. Eu. Ganhar. Comparação. Compensação. Prazo/tempo/hora. Custo/investimento/contra-partida. Expectativa. Roteiro. Procedimento. Ostentação. Discurso. Ações dentro do esperado. Condições (se).

versus

Gentileza. Carinho. Respeito*. Atenção. Cuidado. Entrega. Zelo. Êxtase. Superpercepção. Toque da pele. Carícia. Curvas, linhas, covinhas, saliências, protuberâncias, fios de cabelo, pelos, texturas…. Cheiros. Sons. Sabores. Dedicação. Troca. Gratuidade. Mãos que se encontram, entrelaçam, escorregam… soltam-se e procuram-se. Pescoço. Cintura. Costas. Ombros. Pés. Corpo… suór, saliva, sumos, mucosas. Abraço. Temperatura. Pele na pele. Intensidade. Desprendimento. Liberdade. Desejo.
.
..

….
….. prazer em rever-se!

* Respeito é saber fluir por onde o outro permite. É descobrir o desejo, descobrir os pontos…. e explorar estes pontos…. mesmo que se tenham outros pontos em mente, procurar satisfazer o outro [sem autosacrificar-se] em suas necessidades, seus anseios, seus sonhos, seus desejos….. para depois buscar seus próprios desejos….

———————–
Um “continho”, então.

-Há! Finalmente vou estrear meu tubinho!
Leandra passou a mão na ultra-mini-bolsinha, conferiu: celular, camisinha, gel, cartão de crédito, dinheiro, identidade, batom, espelho – Putz! Não cabe mais nada! Era isso…
Pegou uma Smirnoff-Ice, desceu, entrou no carro da Aline e se foram.
Na balada, Sandro chegou. Chegou mesmo, chegou bem. Levou.
Escolhido o motel, entraram.
Ele no banheiro, ela tirou o tubinho e deitou sob o lençol.
Sandro saiu do banheiro sem camisa… vendo o vestido sobre a cadeira, tirou o resto da roupa e deitou.
Beijos… abraços… mão aqui, mão ali…. ela tirou a calcinha pra facilitar. Os dedos entraram com um pouquinho de resistência mecânica, mas logo a lubrificação resolveu o problema….
Beija pescoço, chupa peito, pausa pra colocar a camisinha…. pluft! Nheco-nheco… vira daqui, vira dali…. Acabou o homem…. Ela vai no banheiro….
Mais uma cerveja… um pouco de papo… mais beijos… nova camisinha…. levou mais tempo, agora.
Olhando no espelho, Leandra vê seu rosto sorridente, cabelos desgrenhados, dedos entre eles… um peito masculino por trás… a cara de Sandro vitorioso…. ajuda-se um pouquinho com a mão… Ahhhhhh!!!
Ele também goza.
Deitam. Conversam…. Olham o relógio do celular (não há SMS?)…
Banho. Um de cada vez. Vestem-se.
Cada um paga a metade da conta.
-A cerveja é por minha conta, diz Sandro.
Ele a deixa em casa e se vai.

…..

Enquanto isso, Aline não bebeu. Estava dirigindo.
Carlos chegou quando ela estava “segurando a vela”…. ofereceu uma long-neck. Ela explicou q não estava bebendo. Conversaram…. ele parecia encantado! Riram, brincaram…. ficaram.
– Quatro e quinze e essa balada já ta vazia, Aline… é sempre assim, aqui?
– Não sei… vou pagar meu refri…
Foram pro postinho, cada um no seu carro. Xis, refri… risadas….
Carlos entra no carro de Aline, mais palhaçada… beijos… carícias… mais beijos, mais carícias… olho no olho…. Aline “louca”, mas um tanto indecisa….bem pouquinho….
– Vou ver a localização das blitz… bebi umas cervejas…. Báh! Tem uma Blitz na João Pessoa…. putz!
– Eu te levo! Diz Aline. Foram….
Entraram no motel…. liga o ar, bota um som…. ela vai pro banheiro, mas ele a puxa antes dela abrir a porta…. deitam, rolam, beijam… acarinham-se….
-Tá! Preciso ir ao banheiro!!
Ele tira os sapatos… ela volta e ele está sorrindo sobre a cama observando-a….
Mais abraços, beijos… rola daqui, mãos deslisam sob as roupas, sutiãs se soltam… peças de roupa vão saindo… cócegas! Risadas… começa tudo de novo….
Carlos beija a barriga de Aline…. e vai descendo… descendo…. a língua começa um passeio lânguido buscando cada textura…. enquanto isso, ele coloca a camisinha sem ela ver….
Carícias…. ele vai subindo… seios, pescoço… começa – ela se assusta: – Sem camisinha, não!
-Mas eu to de camisinha!
Ela olha, toca… -Como?! Sorrindo….
Beijos, abraços, carícias…. o encaixe é lento, sem nenhum atrito…..
A criatividade se liberta!
Horas mais tarde, dormem…..
Pela manhã, ele a acorda beijando as costas, acariciando seus braços…..
Tudo recomeça…..
Depois do café, Aline leva-o ao postinho. Carlos pega seu carro e ambos ainda dirigem um trecho lado a lado, até que ele liga o pisca da esquerda… dois sorrisos se afastam….

*****
Ambas histórias são sobre pessoas que se conhecem repentinamente, ficam, vão pra um motel, transam e vão embora.
Em ambas, pelo menos um dos dois bebeu. Em ambas se tratavam de mulheres “resolvidas” e rapazes seguros.
Em ambas ninguém está cobrando nada para amanhã.
Uma diferença é quanto à capacidade de se viver o presente e deixar fluir, em oposição à preocupação com “o que deve ser feito” e com o dia de amanhã.

Há outras diferenças de “superficialidade”, etc, mas deixo-as para interpretação de cada um. ;D