Da precariedade das relações

Pressa. Objetividade. Repetição. Regra. Dever. Obrigação. Cobrança. Mecanicidade/maquinal. Eu. Ganhar. Comparação. Compensação. Prazo/tempo/hora. Custo/investimento/contra-partida. Expectativa. Roteiro. Procedimento. Ostentação. Discurso. Ações dentro do esperado. Condições (se).

versus

Gentileza. Carinho. Respeito*. Atenção. Cuidado. Entrega. Zelo. Êxtase. Superpercepção. Toque da pele. Carícia. Curvas, linhas, covinhas, saliências, protuberâncias, fios de cabelo, pelos, texturas…. Cheiros. Sons. Sabores. Dedicação. Troca. Gratuidade. Mãos que se encontram, entrelaçam, escorregam… soltam-se e procuram-se. Pescoço. Cintura. Costas. Ombros. Pés. Corpo… suór, saliva, sumos, mucosas. Abraço. Temperatura. Pele na pele. Intensidade. Desprendimento. Liberdade. Desejo.
.
..

….
….. prazer em rever-se!

* Respeito é saber fluir por onde o outro permite. É descobrir o desejo, descobrir os pontos…. e explorar estes pontos…. mesmo que se tenham outros pontos em mente, procurar satisfazer o outro [sem autosacrificar-se] em suas necessidades, seus anseios, seus sonhos, seus desejos….. para depois buscar seus próprios desejos….

———————–
Um “continho”, então.

-Há! Finalmente vou estrear meu tubinho!
Leandra passou a mão na ultra-mini-bolsinha, conferiu: celular, camisinha, gel, cartão de crédito, dinheiro, identidade, batom, espelho – Putz! Não cabe mais nada! Era isso…
Pegou uma Smirnoff-Ice, desceu, entrou no carro da Aline e se foram.
Na balada, Sandro chegou. Chegou mesmo, chegou bem. Levou.
Escolhido o motel, entraram.
Ele no banheiro, ela tirou o tubinho e deitou sob o lençol.
Sandro saiu do banheiro sem camisa… vendo o vestido sobre a cadeira, tirou o resto da roupa e deitou.
Beijos… abraços… mão aqui, mão ali…. ela tirou a calcinha pra facilitar. Os dedos entraram com um pouquinho de resistência mecânica, mas logo a lubrificação resolveu o problema….
Beija pescoço, chupa peito, pausa pra colocar a camisinha…. pluft! Nheco-nheco… vira daqui, vira dali…. Acabou o homem…. Ela vai no banheiro….
Mais uma cerveja… um pouco de papo… mais beijos… nova camisinha…. levou mais tempo, agora.
Olhando no espelho, Leandra vê seu rosto sorridente, cabelos desgrenhados, dedos entre eles… um peito masculino por trás… a cara de Sandro vitorioso…. ajuda-se um pouquinho com a mão… Ahhhhhh!!!
Ele também goza.
Deitam. Conversam…. Olham o relógio do celular (não há SMS?)…
Banho. Um de cada vez. Vestem-se.
Cada um paga a metade da conta.
-A cerveja é por minha conta, diz Sandro.
Ele a deixa em casa e se vai.

…..

Enquanto isso, Aline não bebeu. Estava dirigindo.
Carlos chegou quando ela estava “segurando a vela”…. ofereceu uma long-neck. Ela explicou q não estava bebendo. Conversaram…. ele parecia encantado! Riram, brincaram…. ficaram.
– Quatro e quinze e essa balada já ta vazia, Aline… é sempre assim, aqui?
– Não sei… vou pagar meu refri…
Foram pro postinho, cada um no seu carro. Xis, refri… risadas….
Carlos entra no carro de Aline, mais palhaçada… beijos… carícias… mais beijos, mais carícias… olho no olho…. Aline “louca”, mas um tanto indecisa….bem pouquinho….
– Vou ver a localização das blitz… bebi umas cervejas…. Báh! Tem uma Blitz na João Pessoa…. putz!
– Eu te levo! Diz Aline. Foram….
Entraram no motel…. liga o ar, bota um som…. ela vai pro banheiro, mas ele a puxa antes dela abrir a porta…. deitam, rolam, beijam… acarinham-se….
-Tá! Preciso ir ao banheiro!!
Ele tira os sapatos… ela volta e ele está sorrindo sobre a cama observando-a….
Mais abraços, beijos… rola daqui, mãos deslisam sob as roupas, sutiãs se soltam… peças de roupa vão saindo… cócegas! Risadas… começa tudo de novo….
Carlos beija a barriga de Aline…. e vai descendo… descendo…. a língua começa um passeio lânguido buscando cada textura…. enquanto isso, ele coloca a camisinha sem ela ver….
Carícias…. ele vai subindo… seios, pescoço… começa – ela se assusta: – Sem camisinha, não!
-Mas eu to de camisinha!
Ela olha, toca… -Como?! Sorrindo….
Beijos, abraços, carícias…. o encaixe é lento, sem nenhum atrito…..
A criatividade se liberta!
Horas mais tarde, dormem…..
Pela manhã, ele a acorda beijando as costas, acariciando seus braços…..
Tudo recomeça…..
Depois do café, Aline leva-o ao postinho. Carlos pega seu carro e ambos ainda dirigem um trecho lado a lado, até que ele liga o pisca da esquerda… dois sorrisos se afastam….

*****
Ambas histórias são sobre pessoas que se conhecem repentinamente, ficam, vão pra um motel, transam e vão embora.
Em ambas, pelo menos um dos dois bebeu. Em ambas se tratavam de mulheres “resolvidas” e rapazes seguros.
Em ambas ninguém está cobrando nada para amanhã.
Uma diferença é quanto à capacidade de se viver o presente e deixar fluir, em oposição à preocupação com “o que deve ser feito” e com o dia de amanhã.

Há outras diferenças de “superficialidade”, etc, mas deixo-as para interpretação de cada um. ;D

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