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Divinas Divas

21 dezembro 2013

ImagemUm espetáculo emocionante!
As imagens produzidas no palco são vivas e belas! As músicas, a comicidade e as declarações, cada coisa mais tocante que a outra!
As histórias reveladas por estas pessoas, do alto de suas cinco décadas de palco e outras mais, de vivência, são impressionantes!

Ao longo de minha vida, nunca dei atenção à Rogéria ou a quaisquer travestís; Eram, simplesmente, pessoas. Alguns, artistas. Eu lembro que as pessoas em geral se alvoroçavam com as travestís…. não entendia por que, quando criança, e não voltei a pensar nisso, mais tarde.

Não, eu não ignorava que elas tinham dificuldades com a sociedade machista, hipócrita e retrógrada, mas não havia me aprofundado.
Foi ao juntar-me ao grupo de discussão da Marcha das Vadias, que comecei a dialogar sobre transgeneros, travestís e toda esta multiplicidade de pessoas que não se enquadram nos modelos cis-hétero. Antes disso eu sofria com o machismo e observava o quanto esse machismo causava toda a sorte de desgraças às mulheres e homossexuais, mas não não reparava na peculiaridade de alguém trans*.
Foi ali que fui confrontado com o fato de que usar um banheiro público poderia ser um dilema ou um suplício. Não apenas do ponto de vista prático, mas no âmbito da identidade da pessoa.

Quando li sobre o Divinas Divas, através de uma twittada da Leandra Leal, foi que reconheci o valor destas travestís pioneiras! Ao ver o video da ‘vaquinha virtual’, a explicação da Leandra sobre o documentário, fiquei encantado!
Mas não imaginava que o show que eu veria no Rival/RJ seria tão fantástico!

A explanação da Angela Leal sobre sua vivência em contato com estas artistas e suas experiências de vida e sua alegria com o fato da Leandra ter percebido o valor histórico-cultural da atuação daquelas travestís, não apenas como artistas, mas como protagonistas de uma luta pelo direito de se ser o que se quiser, direito de buscar sua própria felicidade, independente dos padrões sociais e da hipocrisia geral, foi algo memorável. Infelizmente, não gravei aquelas palavras, porém registrei o seu sentido. Fiquei muito feliz por esta menina ter tido este insight, esta sensibilidade e ter, finamente, empenhado sua energia e sua determinação (e vários outros talentos) para realização deste trabalho de resgate e promoção desta faceta da história social e artística do Brasil e, por conseguinte, da humanidade.

“Ser mulher é muito fácil para quem já é, mas pra quem nasce para ser João, é um sacrifício, a transformação…”

Esta é a letra da primeira música do show…. apesar de eu saber que ser mulher não é nada fácil, entendo o que ela diz.
Em vários outros textos meus, aqui no blog, eu falo sobre machismo, sobre minha falta de sintonia com o universo masculino e sobre minha sensação de que preferia ter nascido lésbica, ou seja, sobre esta admiração pelas mulheres ao ponto de preferir ser uma – com a diferença de que a tenho, em parte, por não gostar de homens, não gostar de ser confundido com eles, e por achar que ser mulher (e ser mãe) é algo explêndido!

Eu, diferentemente dos travestís, resolvi conformar-me com meu corpo, ainda na adolescência. Primeiro porque não me agrava a idéia de tranformá-lo -sabia que eu nunca seria uma mulher -, já que ele funcionava muito bem, assim.
Segundo, porque parecendo-me com uma mulher, atrairia homens e eu detesto homens (tenho poucos amigos, aliás).
Mas, admiro-os por perseguirem seus desejos!

Agora, aguardo ansioso o lançamento do documentário!
Obrigado e parabéns, Leandra!

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