Archive for abril \19\UTC 2014

Erros

19 abril 2014

Sobre um tumblr que ta rolando, preciso posicionar-me.

Recortes de texto podem sempre ser manipulados. Mas, sua criação me fez parar para pensar.

Conversei com algumas pessoas e elas me ajudaram a ver que em certos casos eu errei.
Não avaliei a sensibilidade alheia, o estado de espírito, o histórico da pessoa.
Agi como um homem machista. Diz o que pensa sem a menor empatia.

Isso é assustador! Estão aí no meu blog, todos estes textos com idéias libertárias! Nas inúmeras discussões em redes sociais, me posicionei contra este tipo de atitude!

De repente, me deparo fazendo o mesmo [e o pior, já haviam me dito isso e eu não ouvi].

Por ora, só posso apresentar minhas desculpas, aqui, para quem tenha se sentido agredida e dizer que a partir deste choque estou buscando agir de forma mais cuidadosa com as pessoas que venha a conhecer.

Eu tinha escrito outro texto com a reflexão que fiz e observando conflitos pessoais que me leveram a uma atitude superficial com os relacionamentos… mas ficou parecendo uma choradeira.

Não concordo com a forma que as postagens foram apresentadas, nem com críticas ao fato de eu gostar de sexo (não vejo isso como um problema), mas, sou obrigado a agradecer a estas pessoas, por terem me feito pensar no assunto!

Graças a elas, mudarei radicalmente minha forma de relacionar-me com as pessoas daqui pra frente, buscando uma atitude de maior empatia e respeito pelo outro.

É tudo o que posso fazer, por ora.

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O fenômeno ‘funk’ – brasileiro

8 abril 2014

O Funk e o seu papel social

É complicado falar de algo que não se conhece… eu nem deveria falar, então, diriam alguns. Mas eu não quero falar do funk eu quero falar do efeito. Do “fenômeno funk [brasileiro]” – ao final deste texto, há links e explicações sobre funk como música, sobre funk carioca e funk paulista, etc.

Por que falar sobre isso?

1. Está em toda a parte! Ouvimos funk sendo executado em todo o lugar: nos celulares em ônibus, nos carros em plena rua, nas casas, em alguns estabelecimentos comerciais, nas festas, nas festas-funk, nos programas de rárdio e TV, etc….
2. Divisor de opiniões – bastante emocionadas!
3. Traz implicações econômicas e sociais ao país.
4. Outros…

Sobre este fenômeno, é importante atentar para suas nuances e para os motivos que geram controvérsia;

1. Muitas letras das ditas canções são repletas de termos denominados ‘de baixo calão’, ‘chulos’, ‘populares’.
[na verdade, todo mundo sabe o que significam estes termos, então não há nada de errado com eles]
2. As composições são executadas [também] em bailes de subúrbio e favelas, onde há uma erotização exacerbada, inclusive ocorrendo relações genitais/sexuais.
[isto também ocorre em inúmeras festas de classe média e alta, mas em escala diferente, já que existe muito mais gente pobre do que não pobre]
3. Tudo isso é disseminado no rádio e na TV, ao alcance das crianças.
[no baile funk não entram crianças, acredito, ainda que entrem menores – como ocorre em outras festas – o problema da veiculação deste material em rádio e tv não é do funk, mas da falta de critério/fiscalização/normatização da difusão de rádio e tv]
4. As letras falam muito sobre sexo e relações efêmeras ou adúlteras.
[Isto está presente em toda a MPB, no Pop e em quase todas as composições musicais do mundo, em níveis diferentes ou iguais ao do funk]

Então o que há de errado com este fenômeno? E o que há de certo?

O que há de ‘errado’ é que este fenômeno nasce na favela! Nasce em meio à classe mais pobre do país. Vem carregado de sotaque e ‘imperfeições’ da língua falada (que não é a erudita língua escrita que poucos, inclusive das classes mais abastadas, dominam).
Falam da realidade crua brasileira e das relações diretas e quotidiana, sem o ‘véu de Maria’ para encobrí-la! Sem a hipocrisia social geral que finge que as coisas são de outro jeito, que não o jeito que são (o pecado católico)! Falam de sexo como o sexo é e chamam o pau de pau, a buceta de buceta e o cu de cu! Falam de ‘traição‘ chamando-a de ‘traição’.
Ninguém está habituado a ver na TV ou ouvir no rádio, coisas verdadeiras! A novela é falsa, as ‘notícias’ são falsas, o carnaval é falso (pq o verdadeiro acontece na rua) o futebol é falso (futebol é jogar bola, o que aparece na TV são transações comerciais de empresas diversas, umas, inclusive, chamadas de ‘clubes’), a religião é falsa (o país é oficialmente católico, aborto e métodos anticoncepcionais não são ‘coisa de Deus’, mas todo ano milhaaares [MILHARES] de mulheres morrem fazendo abortos e outras tantas sobrevivem, zilhões de pessoas fazem sexo por prazer, e muitos deles vão à Igreja se ‘confessar’, depois), as regras de trânsito são falsas [quem é que pára no sinal quando não tem ninguém passando? e quantos não páram nem com gente passando?]. O governo é falso (diz-se dos trabalhadores, mas só beneficia multinacionais, corrupção de todo tipo são executadas desde o “descobrimento” – que também é falso!), a “Independência” do Brasil é falsa! Tudo é falso neste país!

Por este motivo, a verdade assusta! Tira as pessoas da zona de conforto.

Mas, até aí, parece que a sociedade estava tolerando razoavelmente… até pq as letras de música de gafieira, por exemplo, são tão ‘chulas’ ou mais, do que as de funk e ninguém fez alarde, até hoje.

Quando, afinal, este fenômeno começou a incomodar de fato?

Lembro de um debate com o Jorge Mautner e o Tarso Genro [foi nele que eu perdi todas as esperanças neste político – faz muuuitos anos, acho que este era prefeito ou nem isso, ainda], com mediação do Fischer em que se falava sobre o “fenômeno” da época (que eu já não lembro se era o pagode ou a música sertaneja) e, ao passo que o político tentava desqualificar tais músicas enquanto cultura, o Jorge simplesmente comentou que com o Plano Real o povo adquiriu um mínimo de poder aquisitivo e então estava comprando o que gostava. Simples, assim.

Então, o primeiro incômodo é da mesma natureza do incômodo dos ‘rolezinhos’ em shoppings ou dos acentos aéreos a preços populares: os pobres estão comprando!
Os pobres estão consumindo e o Mercado está se ajustando aos pobres! A elite está perdendo o ‘status’ de elite, para ser, apenas ‘elite’ pseudo-intelectual.

O segundo incômodo – e parece-me que é, EXATAMENTE, aí, que inaugura-se a gritaria – é que as mulheres começaram a fazer funk!
Mas, não é só isso, sempre existiram mulheres na música brasileira (embora em menor número do que homens), elas estão escrevendo letras de funk! E nestas letras estão cantando sua autonomia! Sua sexualidade! E sua VERDADE: que mulher gosta de sexo e sente prazer!
E mais: elas estão escolhendo com quem, quando e onde fazer sexo!
[tem ilusão nisso aí? tem muita! mas tem a parte real… parte disso é real! e a realidade incomoda, lembram?]

O ícone do momento é a Valesca Popozuda! Suas letras, principalmente, as do início da carreira são diretas! A mulher dizendo que quer transar e de qual modo. E este modo é real, não é todo fingido ‘como manda o figurino’!

Por tudo isso, o Brasil (não sei que Brasil é este, se a maioria da população é funkeira) está chocado!

Agora, as pessoas dizem a verdade!?
Agora, AS MULHERES dizem a verdade!?
Agora, as mulheres têm vontade própria e escolha!?

Como isso? Óh! Céus!?

Numa sociedade patriarcal, machista, opressora, hipocritamente ‘religiosa’ e oligárquica quanto à concentração de renda, tudo isso é INADIMISSÍVEL!

Como assim, as pessoas não estão comprando o que EU quero que elas comprem?
Como assim, as mulheres estão saindo do controle?
Como assim, a identidade do Brasil, agora está ficando parecida com realidade do seu povo?
Como assim, estão falando de pobreza e ostentação?

Estes são os aspectos importantes em torno do fenômeno ‘funk’. Quanto à musicalidade, isto é outro embate secundário.
Ah, as letras, em sua maioria, não são complexamente elaboradas e os instrumentos não são tocados com maestria (quando há instrumentos e não apenas edição digital)?
Isso é só o resultado da “educação popular”! Toda esta gente que está chocada, são as mesmas pessoas que não lutaram por condições melhores de saneamento básico para a população brasileira.

Agora, agüenta: “Late mais alto que daqui eu não te escuto”!!!

Notas:

Segundo a Wikipedia, “o funk é um gênero musical que se originou nos Estados Unidos na segunda metade da década de 1960, quando músicos afro-americanos, misturando soul, jazz e rhythm and blues, criaram uma nova forma de música rítmica e dançante.”

O antropólogo Hermano Vianna foi o primeiro cientista social a abordá-lo como objeto de estudo, em sua dissertação de mestrado, que daria origem ao livro O Mundo Funk Carioca (1988).
http://www.overmundo.com.br/banco/o-baile-funk-carioca-hermano-vianna

Tem este outro artigo interessante, aqui também:
https://www.academia.edu/5386275/_Nao_me_bate_doutor_funk_e_criminalizacao_da_pobreza

Segundo a mesma Wikipedia, o Funk Carioca surgiu em festas Funk no RJ que, inicialmente, tocavam música internacional (o Funk original) dentre outras. A música mudou, mas o nome permaneceu.

Injúria

5 abril 2014

O Código Penal Brasileiro, criado pelo Decreto-lei 2848/40 de 7 de dezembro de 1940, em seus artigos 138, 139 e 140, trata dos casos de Calúnia, Difamação e Injúria, respectivamente.

[reserve]

O ambiente virtual, particularmente, o facebook é um campo fértil e abundante deste tipo de crimes!
E alguns deles são cometidos ao mesmo tempo, com uma mesma sentença proferida (por escrito, no caso – prova cabal).

As pessoas, em geral, desconhecem a lei e fazem falsas alegações a respeito das outras o que, dependendo dos termos utilizados, podem ser enquadradas num ou mais de um dos referidos artigos.

Postagens em grupos de discussão, conversas diretas no facebook, postagens anônimas em blogs (mas com estrutura textual, vocabulário e erros ortográficos e gramaticais, perfeitamente, reconhecíveis), onde @s agressores destilam veneno e impropérios sem fazer qualquer relação entre as acusações e hipotéticas ações ou declarações d@s atacad@s, são algumas práticas comuns.
Uma acusação vazia, seguida de um ‘bloqueio’, afim de impedir que a pessoa inquira as razões do ataque ou argumente em contrário às injúrias, é a cena mais natural.

Quando sou eu o alvo do desequilíbrio alheio, mantenho o discurso coerente e sem usar termos de baixo calão, sempre indagando sobre algum ‘fato’ sobre o qual, poderíamos então analisar se errei ou não. Caso eu constatasse falha minha, eu buscaria alguma forma de reparação – no mínimo, um pedido formal de desculpas e uma promessa de não mais cometer tais erros hipotéticos.

Sou muito convicto de minhas idéias e tenho boa desenvoltura verbal. Dificilmente, encontro alguém que consiga mostrar meus erros; Mas, VEJA BEM: Isto acontece, não porque eu não cometa erros! Isto acontece porque as pessoas não sabem se expressar!
Algumas vezes, eu até percebo que errei, porém, discordo da interpretação de meu erro, por parte de quem está me acusando. Daí, a pessoa ao invés de dialogar comigo até que cheguemos a um consenso (e seria até fácil, nos casos em que já considero que estou errado), parte para agressão ou para a “argumentação” vazia!

Eu não tenho problemas em reconhecer erros e em buscar reparação dos mesmos. Certa vez, cruzei uma rua ‘preferencial’ sem respeitar a placa de ‘pare’ (termos do código de trânsito) e provoquei um acidente. Nem me passou pela cabeça tentar desviar-me desta culpa. Minha segunda frase, foi “-A culpa é minha!” (a primeira foi: -Está tudo bem?).
Como eu estava com um carro da empresa, queriam tentar fingir que não tive culpa por causa de seguros, etc… Recusei-me. Assumi, categoricamente, a culpa. A culpa era minha. Onde há uma placa de ‘pare’ é preciso parar. Não parei, sou culpado. Fim. Tive que pagar os prejuízos de ambos os veículos (e fiquei questionando-me sobre por que não recebi uma multa por não parar diante da placa de ‘pare’!?).

Eu tenho ‘problemas’ é com a estupidez, a arrogância e a ineficiência verbal/intelectual alheias! E com a falta de empatia ou falta de interesse alheio em entender os fatos. Em última análise, falta de interesse alheio em promover melhoria: as pessoas só querem agredir, elas não querem te mostrar erros para que tu os repare/tente reparar e/ou para tu prosperar, autoavaliar-se, retificar-se… não!

Muitas vezes, basta que as pessoas se proponham a entender os acontecimentos. Note bem: não estou tentando ‘justificar’ as ações, e sim ‘explicá-las’. Embora pareça uma diferença sutil, ela é gritante!

A coisa é simples:
-Fiz isso, por causa disso e não por causa daquilo. Entendeu?
-Sim. Mas a culpa, ainda é tua!
-Sim. A culpa é minha. Só queria que entendesses os processos. Agora, vou procurar uma forma de rever isso.

Eu não quero ser um ‘errante’. Eu não gosto de errar. Não gosto de cometer falhas e gosto menos ainda de causar mal. Jamais eu pretendo causar mal por um erro! Eu posso querer causar mal, intencionalmente, mas nestes casos eu não vou ficar tentando fazer parecer que estou ‘certo’, que não ‘errei’ segundo o conceito geral.
Eu vou dizer: – Fiz isso, assim, porque eu quis fazer assim.

Se eu estiver dizendo que não quis, que não entendi, que não estou vendo o erro, apenas mostre-me! Prove-me. Tão logo eu o perceba, tratarei de esforçar-me para não repetí-lo. Nem todos os erros são reparáveis, eu sei. Mas, o futuro pode ser gerenciado.
Ou eu vou esclarecer que fiz daquela forma por convicção e não vou mudar, sejam quais forem as conseqüências.
Se o acusador não me provar que estou errado, ele estará apenas perdendo seu tempo. Não me atinge, porque não vi o erro e não consegue minha reparação ou mudança (porque não vi o erro).

Claro, eu sou dotado de inteligência. Se alguém faz uma acusação torta sobre mim, eu vou analisar e reanalisar profundamente minhas palavras e ações, circunstâncias, etc… em busca do motivo pelo o qual a pessoa chegou àquele julgamento. Algumas vezes eu posso descobrir que OUTRO erro levou a pessoa a creditar-me erro diverso, mas eu entendo a má interpretação da pessoa e passo a evitar o erro que EU identifiquei como causador da má interpretação dos fatos.
Outras vezes, concluo que a pessoa em questão deve sofrer disso ou daquilo e por isso ‘viu’ determinado erro onde não existia (ou onde existia outro erro). Ainda nestes casos, eu vou tentar achar uma forma de expressão diferente que não dê margem para pessoas doentes interpretarem errado meus atos.

O que falta às pessoas é veracidade. As pessoas não assumem suas baixezas, suas falhas, suas intenções e nem suas posições. E elas mentem!
Então elas acham que todo mundo é assim.

Pressupõem tuas ações segundo sua própria vileza e te agridem, te injuriam, ofendem, etc.. sem um objetivo de reparação, mas somente de destruir-te, pq no fundo, estão tentando transferir pra ti a angústia de suas próprias imperfeições. E deve ter outras razões, como burrice, mesmo, etc.. mas o fato é que atribuir-te um ‘rótulo’ e não narrar um ‘fato’ que faça jus a tal ‘rótulo’ é, antes, um dos três crimes citados no início deste post, do que qualquer outra coisa.

Certamente, tais atitudes causam desgaste. No entanto, servem apenas para fortalecer o indivíduo em sua noção de integridade. Não é possível garantir que isto seja bom, pois na hipótese de haver um erro que não foi narrado e, portanto, não pode ser analisado, tal erro permanecerá sem reparo e a conduta geradora do erro permanecerá inalterada (deixando margem para novos erros semelhantes). De resto, não havendo erro algum, exceto da má interpretação ou má intenção d@ agressor(a), este fortalecimento é benéfico.

Rogo, apenas, que as aulas de português e filosofia do ensino médio sejam melhores no futuro, promovendo cidadão críticos, capazes de expressar o que pensam e com intenções melhores!