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O fenômeno ‘funk’ – brasileiro

8 abril 2014

O Funk e o seu papel social

É complicado falar de algo que não se conhece… eu nem deveria falar, então, diriam alguns. Mas eu não quero falar do funk eu quero falar do efeito. Do “fenômeno funk [brasileiro]” – ao final deste texto, há links e explicações sobre funk como música, sobre funk carioca e funk paulista, etc.

Por que falar sobre isso?

1. Está em toda a parte! Ouvimos funk sendo executado em todo o lugar: nos celulares em ônibus, nos carros em plena rua, nas casas, em alguns estabelecimentos comerciais, nas festas, nas festas-funk, nos programas de rárdio e TV, etc….
2. Divisor de opiniões – bastante emocionadas!
3. Traz implicações econômicas e sociais ao país.
4. Outros…

Sobre este fenômeno, é importante atentar para suas nuances e para os motivos que geram controvérsia;

1. Muitas letras das ditas canções são repletas de termos denominados ‘de baixo calão’, ‘chulos’, ‘populares’.
[na verdade, todo mundo sabe o que significam estes termos, então não há nada de errado com eles]
2. As composições são executadas [também] em bailes de subúrbio e favelas, onde há uma erotização exacerbada, inclusive ocorrendo relações genitais/sexuais.
[isto também ocorre em inúmeras festas de classe média e alta, mas em escala diferente, já que existe muito mais gente pobre do que não pobre]
3. Tudo isso é disseminado no rádio e na TV, ao alcance das crianças.
[no baile funk não entram crianças, acredito, ainda que entrem menores – como ocorre em outras festas – o problema da veiculação deste material em rádio e tv não é do funk, mas da falta de critério/fiscalização/normatização da difusão de rádio e tv]
4. As letras falam muito sobre sexo e relações efêmeras ou adúlteras.
[Isto está presente em toda a MPB, no Pop e em quase todas as composições musicais do mundo, em níveis diferentes ou iguais ao do funk]

Então o que há de errado com este fenômeno? E o que há de certo?

O que há de ‘errado’ é que este fenômeno nasce na favela! Nasce em meio à classe mais pobre do país. Vem carregado de sotaque e ‘imperfeições’ da língua falada (que não é a erudita língua escrita que poucos, inclusive das classes mais abastadas, dominam).
Falam da realidade crua brasileira e das relações diretas e quotidiana, sem o ‘véu de Maria’ para encobrí-la! Sem a hipocrisia social geral que finge que as coisas são de outro jeito, que não o jeito que são (o pecado católico)! Falam de sexo como o sexo é e chamam o pau de pau, a buceta de buceta e o cu de cu! Falam de ‘traição‘ chamando-a de ‘traição’.
Ninguém está habituado a ver na TV ou ouvir no rádio, coisas verdadeiras! A novela é falsa, as ‘notícias’ são falsas, o carnaval é falso (pq o verdadeiro acontece na rua) o futebol é falso (futebol é jogar bola, o que aparece na TV são transações comerciais de empresas diversas, umas, inclusive, chamadas de ‘clubes’), a religião é falsa (o país é oficialmente católico, aborto e métodos anticoncepcionais não são ‘coisa de Deus’, mas todo ano milhaaares [MILHARES] de mulheres morrem fazendo abortos e outras tantas sobrevivem, zilhões de pessoas fazem sexo por prazer, e muitos deles vão à Igreja se ‘confessar’, depois), as regras de trânsito são falsas [quem é que pára no sinal quando não tem ninguém passando? e quantos não páram nem com gente passando?]. O governo é falso (diz-se dos trabalhadores, mas só beneficia multinacionais, corrupção de todo tipo são executadas desde o “descobrimento” – que também é falso!), a “Independência” do Brasil é falsa! Tudo é falso neste país!

Por este motivo, a verdade assusta! Tira as pessoas da zona de conforto.

Mas, até aí, parece que a sociedade estava tolerando razoavelmente… até pq as letras de música de gafieira, por exemplo, são tão ‘chulas’ ou mais, do que as de funk e ninguém fez alarde, até hoje.

Quando, afinal, este fenômeno começou a incomodar de fato?

Lembro de um debate com o Jorge Mautner e o Tarso Genro [foi nele que eu perdi todas as esperanças neste político – faz muuuitos anos, acho que este era prefeito ou nem isso, ainda], com mediação do Fischer em que se falava sobre o “fenômeno” da época (que eu já não lembro se era o pagode ou a música sertaneja) e, ao passo que o político tentava desqualificar tais músicas enquanto cultura, o Jorge simplesmente comentou que com o Plano Real o povo adquiriu um mínimo de poder aquisitivo e então estava comprando o que gostava. Simples, assim.

Então, o primeiro incômodo é da mesma natureza do incômodo dos ‘rolezinhos’ em shoppings ou dos acentos aéreos a preços populares: os pobres estão comprando!
Os pobres estão consumindo e o Mercado está se ajustando aos pobres! A elite está perdendo o ‘status’ de elite, para ser, apenas ‘elite’ pseudo-intelectual.

O segundo incômodo – e parece-me que é, EXATAMENTE, aí, que inaugura-se a gritaria – é que as mulheres começaram a fazer funk!
Mas, não é só isso, sempre existiram mulheres na música brasileira (embora em menor número do que homens), elas estão escrevendo letras de funk! E nestas letras estão cantando sua autonomia! Sua sexualidade! E sua VERDADE: que mulher gosta de sexo e sente prazer!
E mais: elas estão escolhendo com quem, quando e onde fazer sexo!
[tem ilusão nisso aí? tem muita! mas tem a parte real… parte disso é real! e a realidade incomoda, lembram?]

O ícone do momento é a Valesca Popozuda! Suas letras, principalmente, as do início da carreira são diretas! A mulher dizendo que quer transar e de qual modo. E este modo é real, não é todo fingido ‘como manda o figurino’!

Por tudo isso, o Brasil (não sei que Brasil é este, se a maioria da população é funkeira) está chocado!

Agora, as pessoas dizem a verdade!?
Agora, AS MULHERES dizem a verdade!?
Agora, as mulheres têm vontade própria e escolha!?

Como isso? Óh! Céus!?

Numa sociedade patriarcal, machista, opressora, hipocritamente ‘religiosa’ e oligárquica quanto à concentração de renda, tudo isso é INADIMISSÍVEL!

Como assim, as pessoas não estão comprando o que EU quero que elas comprem?
Como assim, as mulheres estão saindo do controle?
Como assim, a identidade do Brasil, agora está ficando parecida com realidade do seu povo?
Como assim, estão falando de pobreza e ostentação?

Estes são os aspectos importantes em torno do fenômeno ‘funk’. Quanto à musicalidade, isto é outro embate secundário.
Ah, as letras, em sua maioria, não são complexamente elaboradas e os instrumentos não são tocados com maestria (quando há instrumentos e não apenas edição digital)?
Isso é só o resultado da “educação popular”! Toda esta gente que está chocada, são as mesmas pessoas que não lutaram por condições melhores de saneamento básico para a população brasileira.

Agora, agüenta: “Late mais alto que daqui eu não te escuto”!!!

Notas:

Segundo a Wikipedia, “o funk é um gênero musical que se originou nos Estados Unidos na segunda metade da década de 1960, quando músicos afro-americanos, misturando soul, jazz e rhythm and blues, criaram uma nova forma de música rítmica e dançante.”

O antropólogo Hermano Vianna foi o primeiro cientista social a abordá-lo como objeto de estudo, em sua dissertação de mestrado, que daria origem ao livro O Mundo Funk Carioca (1988).
http://www.overmundo.com.br/banco/o-baile-funk-carioca-hermano-vianna

Tem este outro artigo interessante, aqui também:
https://www.academia.edu/5386275/_Nao_me_bate_doutor_funk_e_criminalizacao_da_pobreza

Segundo a mesma Wikipedia, o Funk Carioca surgiu em festas Funk no RJ que, inicialmente, tocavam música internacional (o Funk original) dentre outras. A música mudou, mas o nome permaneceu.

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Por que o mercado pornográfico é machista

7 fevereiro 2014

Volta e meia me deparo com discussões sobre as produções pornográficas e vários argumentos feministas são confrontados com os mais estapafúrdios argumentos em defesa do mercado pornô.
Eu já opinei sobre isso em redes sociais, mas acho muito trabalhoso ficar repetindo as coisas. Então vou escrever aqui o que eu acho e passarei a colar o link onde rolar essa discussão de novo.

Vejam bem, pornografia é algo que agrada a alguns e não agrada a outros por N motivos. Mas, independente de agradar ou não, podemos analisar os fatores.

Se o sujeito souber procurar (e se souber usar sistemas operacionais, navegadores e plugins para evitar que os sites estraçalhem seu computador), encontrará absurdas quantidades de material pornográfico de graça na Internet.
ABSURDAS!! Tem tanta imagem (fotos e filmes), mas tanta, que não consigo entender como pode ser possível! Parece que tem batalhões de pessoas (e tem) fazendo sexo pra vender 24h por dia!!!

Bom, mas e daí? Daí que se nos perguntamos: como esta gente ganha dinheiro se está tudo livre na rede?

Por causa da doença – é a minha conclusão. A doença da perversão e suas assemelhadas.
Observe: Se tu quiseres, podes ficar 24h por dia, caçando pornografia gratuita na rede… e vais achar de tudo! Do pior ao melhor.
Mas vais encontrar vários sites que te oferecem ‘algo mais’, uma cena a mais, a cena completa, outros ângulos, etc… se tu pagares.
Por que alguém pagaria? Ok, talvez alguém queira pagar uma ou outra vez pq se apaixonou por algum dos integrantes da cena, sei-la… mas como isto daria lucro para indústria?
Porque tem gente, realmente, doente! Tem gente que paga, que paga MUUUUITO por pornografia! E quanto mais bizarro o ‘estilo’ ou ‘modalidade’, mais caro!
Procure por zoofilia, por exemplo. Para ver um vídeo de longa duração com qualidade gráfica, vais ter que pagar! Eu nunca vi, porque não ia pagar por uma curiosidade momentânea.

Então, a pornografia é produzida, prioritariamente, para o público doente. E o sujeito doente, é doente… ele gosta de coisas não naturais, não saudáveis.
Ele quer perversão, dominação, humilhação, libertação (poder ver o que não pode fazer, mas tem vontade)… então além do bizarro extremo, que eu não sei o que pode ser, há muita cena de mulheres sendo espancadas, asfixiadas, penetradas de forma grosseira, múltipla, etc….
Existem mulheres que gostam de ser tratadas assim (não significa que isto seja saudável, mas não vou julgar), mas no geral, acredito que elas desejem ter prazer sem dor extrema, no sexo – assim como creio que os homens também não estejam buscando dor para si próprios. E a maioria das pessoas não parece gostar de ser amarrada e ter vários objetos sendo enfiados em seus corpos por todo o lado e outras práticas que, notadamente, só estão visando o prazer do ‘homem’, quando muito!
Fora a fantasia, digo, talvez passe pela cabeça de um número bem maior de mulheres do que posso supor, a idéia de uma ou outra vez participar de uma suruba ou outras coisas bizarras – não significa que elas, realmente, fariam isso….nem que a sensação seria a imaginada.
Todas as ressalvas que faço são para não ser moralista, nem coibir o prazer alheio, por mais bizarro que seja. Sejam livres em suas vidas particulares! Mas, aqui estou dissertando sobre a produção pornográfica.

Note bem: como o planeta é machista, são os homens que têm maior poder aquisitivo. São os homens doentes com dinheiro, então, que movimentam o mercado pornô. Então, este mercado produz de acordo com as doenças masculinas.
Se as mulheres tivessem maior poder aquisitivo, seriam as mulheres doentes que estariam alimentando o mercado e então, talvez tivéssemos uma produção bizarra diferente (não saberia dizer se pior ou menos pior).

Resumindo: Quem dá lucro pro mercado pornográfico são homens doentes. Assim o mercado pornográfico produz mercadoria adequada ao seu público, perpetuando a exploração e humilhação da mulher.

Abaixo, listarei algumas idéias que foram apresentadas nas discussões que participei:

– “Mulher nenhuma gosta daquilo!” -> Generalizar é um erro. Várias cenas bem bizarras já me foram solicitadas a fazer, ou seja, há quem goste.
– “A mulher é livre para fazer o que quiser do seu corpo!” -> Verdade. Mas, até que ponto aquelas atrizes estão fazendo aquilo porque querem ou porque seus históricos de vida às levaram aquilo como única saída? [uma vez vi uma cena com uma menina tão magricela e visivelmente cansada, que era evidente que estava passando fome. Certamente estava fazendo aquela cena para poder comprar comida!
– “Só o homem tem prazer naquilo!” -> Muitas vezes o ator masculino da cena, também não tem prazer. Alguns são gays e fazem as cenas por dinheiro, como há lésbicas que fazem cenas com homens, por dinheiro. Já li declarações de atores de vários gêneros contando que há momentos de prazer e outros de puro ‘profissionalismo’ e vários não gostando do que fazem.
– “Nenhuma mulher faz aquilo porque quer!” -> Não é verdade. Conheci uma menina que desde os 15 anos sonhava em ser prostituta! Aos 18 ela foi trabalhar com isto. A própria Sasha Gray disse numa entrevista que gostava muito de sexo e que gostava de sexo violento (embora em outra reportagem alguém explicava que seu “Gray” no nome artístico vinha de sua indiferença ao sexo!)… volta e meia se ouve falar por aí que alguém resolveu ser prostituta, mesmo tendo grana, estudo, etc. Nunca duvide das pessoas!

Em suma, o que eu quero dizer é que não dá pra ‘defender’ todas as pessoas envolvidas nas cenas e nem dá pra condená-las. As pessoas da cena não devem ser o foco da discussão, mas a cena em si e o que ela faz com as pessoas envolvidas (não vamos julgar as motivações das pessoas artistas pornôs). Isto eu já falei acima, é a questão da ‘doença’ que movimenta o mercado.

Assim sendo, não aceito argumentos em defesa do mercado pornô. Acho que ele é exploração (de todos os atores e atrizes) e que é baseado na bizarrice.

O outro ponto disto é que o chamarisco para as áreas pagas é a difusão de toda esta pornografia que se acha de graça na rede. Tudo isso aí, meio doentio, vai atraindo os doentes para a área de extrema doença e tal. Mas a conseqüência é que todo mundo vai tendo contato com cenas bizarras de sexo. E por desconhecimento ou pelo efeito ‘martelada repetitiva’, internalizam aquilo como sendo o único jeito de fazer sexo. Assim, reproduz-se a violência contra a mulher e exigência de performances ‘profissionais’ das pessoas na hora boa.
Frustração, desgaste, desarmonia e arrependimento são os resultados.

Eu defendo a criação de produção erótica. Mesmo que seja uma produção com imagens explícitas de sexo. Mas produções com enredos naturais. Não digo romantismos, mas uma cena de balada que termina na casa de um e rola uma putaria legal… mesmo que role de tudo (afinal, há gostos para tudo). A diferença é a abordagem, afinal, a maioria das pessoas gosta de sexo. Não é à toa que já nasceram BILHÕES de pessoas na Terra.

Machismo

30 março 2011

Não sei onde está um texto antiqüíssimo, que escrevi sobre isso… mas, vá lá… escreverei de novo.

Detesto esta divisão de gênero! Outro dia, escrevi em algum lugar sobre isso… que as pessoas podiam ter separado os seres pelo tipo de voz, estatura, cor do cabelo….mas não, foram se ater à genitália das criaturas. Pois bem, este dualismo “ideal” não serve para a sociedade…. até porque existem pessoas fora deste padrão genético.

Mas do ponto de vista da opção sexual, digo, da inclinação do desejo…. a sociedade, ainda, insiste em rotular as pessoas.

Se é hétero, gay, lésbica, transgênero, etc…. O que insisto é que ninguém “é”. As pessoas “estão”. Qualquer um pode mudar sua “opção”, sua inclinação, seus desejos, a qualquer momento! Seja por uma atitude consciente, seja por um acontecimento, seja por uma sucessão de acontecimentos, seja por nada!

Há quem jamais mude… mas eu quero chegar é no fato de que se a pessoa muda ou não muda, não importa! Ela “está”… mesmo que “esteja” sempre com as mesmas inclinações, desejos, etc…. mas insisto em dizer que ninguém “É”.

Tu és hétero? Achas que isto nunca vai mudar? Pois bem, então tu “estás” hétero. E vais continuar “estando” por toda a vida. Não estou duvidando de ti. Mas quero dizer que não há uma condição física que te “obriga” a “ser” algo… em geral, a condição física, induz o sujeito a “estar” alguma coisa… mas ela não é determinante.

Bem, dito isso, vamos discutir o que é esse tal “machismo”… – depois podemos discutir outros termos.
Vamos tentar definir “friamente”: Uma inclinação de alguém em privilegiar o “masculino”.

Até aí, nem seria tanto um problema. O problema é que para isto, ocorre, sempre, a depreciação do “feminino” (e tudo o que existir entre um e outro).

Mas por que isso ocorre?

Algumas hipóteses:

1. Os sujeitos compreendidos como “machos”, sentem-se extremamente frágeis e inferiores, que precisam proteger-se e, então, passam a enaltecer seu “gênero”;

Tá, não precisava de outras hipóteses…. mas vamos tentar criar, vesti-la de forma diferente.

2. Os tais sujeitos não são capazes de perceber nada além de seu campo limitadíssimo de percepção (ou visão, pq em geral esta gente só vê, não percebe)… então, tudo que estiver fora do compreensível, torna-se menos interessante. Em outras palavras, tudo o que eles não sabem lidar, é depreciado.

3. Eles foram criados assim.

Veja o que acontece com algumas destas desafortunadas criaturas: O boneco começa a crescer e seus pais começam a “testa-los”… Frases que ouvi no decorrer de meu desenvolvimento: “-Tu é um homem ou uma formiga?”, “-Homem não chora!”, “-Homem não faz isso!”… minhas respostas: -Sou uma formiga!, -Buááá!!, -Então não sou homem, porque já fiz!

Nem todas as crianças/adolescentes têm esta presença de espírito.

Na verdade, era fácil pra mim, não preocupar-me com comportamentos que pudessem dar a entender que eu não era homem, porque a imagem que eu tinha de “homem” era uma coisa muito estúpida, podre, insuportável. Quanto mais eu não parecesse com aquilo, tanto melhor. Na verdade, só quem pensaria isso seriam, justamente, os “homens”. E “homens” são o que menos me interessa no mundo. Pra mim, pouco importa (e sempre foi assim) o que os “homens” pensam de mim.

Quanto às mulheres, bem… algumas, realmente, não me importam. Mas a maioria têm percepção suficiente para identificar O QUE HÁ DE INTERESSANTE em mim! Pouco importa se denominam-me homem ou o que for.

Como disse, detesto rótulos.

Mas voltando às vítimas…. a criatura está se formando psiquicamente e as pessoas que ela mais preza (ou está mais ligada/obrigada) vive duvidando se ela é ou não é homem. Isto a fará pensar que ela pode ‘não ser’ homem.

E isto lhe levará a conflitos:

1. Homem não pode ter amiga, tem que “traçar” todas… bem, mas ele não se interessa por “todas”…. e ele tem amigas!

2. Homem não pode expressar carinho para com outro homem…. não pode tocar no outro, etc… mas ele AMA o amigo! Senão não seria amigo, não é? E ele sente carinho pelo amigo…. aquele carinho de irmão! Tem vontade de abraçar, acariciar os cabelos, beijar o rosto, a testa… segurar forte a mão dele para encorajá-lo! Como as criancinhas fazem nas “escolinhas”, nos antigos “jardins-de-infância”….

3. Há toda uma literatura falando que os guris têm curiosidades e experiências com outros guris no processo de crescimento e que isto é saudável…. (por sorte eu vivi rodeado de gurias e não precisei disso, heheheh)… se eu tivesse vivido estas coisas, eu poderia opinar de forma mais clara e, certamente, falaria aqui, abertamente – eu adoro chocar as pessoas!!! Mas, não sei se infelizmente, não posso chocá-los, agora.

Bueno, com os dois itens, acima, o sujeito pode ficar achando que não é “homem”, já que a vida contraria a teoria.

E aí o cara acha que se não é homem, então é outra coisa! E como não lhe dão muitas opções, ele acha que é gay.

Aí ele passa a agir como gay. Ou “enruste-se”… ou, ou, ou….

Mas, voltando ao “machismo”… o cara é exposto a estas situações, aí… e no processo de confusão, quer provar pra si mesmo que é homem! Porque vivem lhe cobrando isso…. Então ele passa a agir “como homem”…. a exaltar sua “masculinidade”…. o problema é que ele não sabe o que é isso! E os outros “homens”, também não sabem!

Porque isso não existe! Não existe “homem”!!! Isto é uma abstração!

Existem seres! Seres humanos. Estes seres têm sentimentos, percepções e desejos. E tudo isso vive em mutação. Ainda que essa mutação não fuja muito de uma determinada faixa para alguns ou muitos.

É assim que surge essa anomalia chamada machismo!

Há outras implicações e outros tipos de “machismo”… mas meus textos são muito longos… escreverei um livro sobre isso tudo, ainda!

Nota:

Quando digo “testa-los”, estou chamando atenção para o dado mais crítico. Ninguém fica perguntando pras meninas se elas são mulheres ou não. Logo elas crescem sem esta dúvida. Ainda que elas tenham inclinações diversas. Mas a demência faz com que os “pais”, na ânsia de que seus filhos sejam “homens” (esquecendo-se de que eles já são “homens”, ou pelo menos eram até que seus pais lhes questionassem sobre isso), passem a tentar `fortalecer` esta idéia na cabeça dos meninos… e provocam o inverso ou a confusão.