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Por que o mercado pornográfico é machista

7 fevereiro 2014

Volta e meia me deparo com discussões sobre as produções pornográficas e vários argumentos feministas são confrontados com os mais estapafúrdios argumentos em defesa do mercado pornô.
Eu já opinei sobre isso em redes sociais, mas acho muito trabalhoso ficar repetindo as coisas. Então vou escrever aqui o que eu acho e passarei a colar o link onde rolar essa discussão de novo.

Vejam bem, pornografia é algo que agrada a alguns e não agrada a outros por N motivos. Mas, independente de agradar ou não, podemos analisar os fatores.

Se o sujeito souber procurar (e se souber usar sistemas operacionais, navegadores e plugins para evitar que os sites estraçalhem seu computador), encontrará absurdas quantidades de material pornográfico de graça na Internet.
ABSURDAS!! Tem tanta imagem (fotos e filmes), mas tanta, que não consigo entender como pode ser possível! Parece que tem batalhões de pessoas (e tem) fazendo sexo pra vender 24h por dia!!!

Bom, mas e daí? Daí que se nos perguntamos: como esta gente ganha dinheiro se está tudo livre na rede?

Por causa da doença – é a minha conclusão. A doença da perversão e suas assemelhadas.
Observe: Se tu quiseres, podes ficar 24h por dia, caçando pornografia gratuita na rede… e vais achar de tudo! Do pior ao melhor.
Mas vais encontrar vários sites que te oferecem ‘algo mais’, uma cena a mais, a cena completa, outros ângulos, etc… se tu pagares.
Por que alguém pagaria? Ok, talvez alguém queira pagar uma ou outra vez pq se apaixonou por algum dos integrantes da cena, sei-la… mas como isto daria lucro para indústria?
Porque tem gente, realmente, doente! Tem gente que paga, que paga MUUUUITO por pornografia! E quanto mais bizarro o ‘estilo’ ou ‘modalidade’, mais caro!
Procure por zoofilia, por exemplo. Para ver um vídeo de longa duração com qualidade gráfica, vais ter que pagar! Eu nunca vi, porque não ia pagar por uma curiosidade momentânea.

Então, a pornografia é produzida, prioritariamente, para o público doente. E o sujeito doente, é doente… ele gosta de coisas não naturais, não saudáveis.
Ele quer perversão, dominação, humilhação, libertação (poder ver o que não pode fazer, mas tem vontade)… então além do bizarro extremo, que eu não sei o que pode ser, há muita cena de mulheres sendo espancadas, asfixiadas, penetradas de forma grosseira, múltipla, etc….
Existem mulheres que gostam de ser tratadas assim (não significa que isto seja saudável, mas não vou julgar), mas no geral, acredito que elas desejem ter prazer sem dor extrema, no sexo – assim como creio que os homens também não estejam buscando dor para si próprios. E a maioria das pessoas não parece gostar de ser amarrada e ter vários objetos sendo enfiados em seus corpos por todo o lado e outras práticas que, notadamente, só estão visando o prazer do ‘homem’, quando muito!
Fora a fantasia, digo, talvez passe pela cabeça de um número bem maior de mulheres do que posso supor, a idéia de uma ou outra vez participar de uma suruba ou outras coisas bizarras – não significa que elas, realmente, fariam isso….nem que a sensação seria a imaginada.
Todas as ressalvas que faço são para não ser moralista, nem coibir o prazer alheio, por mais bizarro que seja. Sejam livres em suas vidas particulares! Mas, aqui estou dissertando sobre a produção pornográfica.

Note bem: como o planeta é machista, são os homens que têm maior poder aquisitivo. São os homens doentes com dinheiro, então, que movimentam o mercado pornô. Então, este mercado produz de acordo com as doenças masculinas.
Se as mulheres tivessem maior poder aquisitivo, seriam as mulheres doentes que estariam alimentando o mercado e então, talvez tivéssemos uma produção bizarra diferente (não saberia dizer se pior ou menos pior).

Resumindo: Quem dá lucro pro mercado pornográfico são homens doentes. Assim o mercado pornográfico produz mercadoria adequada ao seu público, perpetuando a exploração e humilhação da mulher.

Abaixo, listarei algumas idéias que foram apresentadas nas discussões que participei:

– “Mulher nenhuma gosta daquilo!” -> Generalizar é um erro. Várias cenas bem bizarras já me foram solicitadas a fazer, ou seja, há quem goste.
– “A mulher é livre para fazer o que quiser do seu corpo!” -> Verdade. Mas, até que ponto aquelas atrizes estão fazendo aquilo porque querem ou porque seus históricos de vida às levaram aquilo como única saída? [uma vez vi uma cena com uma menina tão magricela e visivelmente cansada, que era evidente que estava passando fome. Certamente estava fazendo aquela cena para poder comprar comida!
– “Só o homem tem prazer naquilo!” -> Muitas vezes o ator masculino da cena, também não tem prazer. Alguns são gays e fazem as cenas por dinheiro, como há lésbicas que fazem cenas com homens, por dinheiro. Já li declarações de atores de vários gêneros contando que há momentos de prazer e outros de puro ‘profissionalismo’ e vários não gostando do que fazem.
– “Nenhuma mulher faz aquilo porque quer!” -> Não é verdade. Conheci uma menina que desde os 15 anos sonhava em ser prostituta! Aos 18 ela foi trabalhar com isto. A própria Sasha Gray disse numa entrevista que gostava muito de sexo e que gostava de sexo violento (embora em outra reportagem alguém explicava que seu “Gray” no nome artístico vinha de sua indiferença ao sexo!)… volta e meia se ouve falar por aí que alguém resolveu ser prostituta, mesmo tendo grana, estudo, etc. Nunca duvide das pessoas!

Em suma, o que eu quero dizer é que não dá pra ‘defender’ todas as pessoas envolvidas nas cenas e nem dá pra condená-las. As pessoas da cena não devem ser o foco da discussão, mas a cena em si e o que ela faz com as pessoas envolvidas (não vamos julgar as motivações das pessoas artistas pornôs). Isto eu já falei acima, é a questão da ‘doença’ que movimenta o mercado.

Assim sendo, não aceito argumentos em defesa do mercado pornô. Acho que ele é exploração (de todos os atores e atrizes) e que é baseado na bizarrice.

O outro ponto disto é que o chamarisco para as áreas pagas é a difusão de toda esta pornografia que se acha de graça na rede. Tudo isso aí, meio doentio, vai atraindo os doentes para a área de extrema doença e tal. Mas a conseqüência é que todo mundo vai tendo contato com cenas bizarras de sexo. E por desconhecimento ou pelo efeito ‘martelada repetitiva’, internalizam aquilo como sendo o único jeito de fazer sexo. Assim, reproduz-se a violência contra a mulher e exigência de performances ‘profissionais’ das pessoas na hora boa.
Frustração, desgaste, desarmonia e arrependimento são os resultados.

Eu defendo a criação de produção erótica. Mesmo que seja uma produção com imagens explícitas de sexo. Mas produções com enredos naturais. Não digo romantismos, mas uma cena de balada que termina na casa de um e rola uma putaria legal… mesmo que role de tudo (afinal, há gostos para tudo). A diferença é a abordagem, afinal, a maioria das pessoas gosta de sexo. Não é à toa que já nasceram BILHÕES de pessoas na Terra.