Surto Psicótico

31 maio 2014

-poema manicomial

Quem sou eu, senão o algoz?
Ou serieis vós?

De teu silêncio recebi o sinal
Eu, autômato, prossegui
Sinalizaste mal?

Flores e brilho no teu olhar
Foi o que li, dias depois ao te encontrar

D’onde surgiu este Mefistófeles
a te virar a cabeça?!

Mistério louco e suicida
A vida acaba-se num átimo!!

Implodi meus sentidos
Trucidei meus desejos
Odiei meu vazio
Amei meus amores
Quis dar o vôo do pássaro derradeiro

Mas, nem ser mais existia………………..

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Erros

19 abril 2014

Sobre um tumblr que ta rolando, preciso posicionar-me.

Recortes de texto podem sempre ser manipulados. Mas, sua criação me fez parar para pensar.

Conversei com algumas pessoas e elas me ajudaram a ver que em certos casos eu errei.
Não avaliei a sensibilidade alheia, o estado de espírito, o histórico da pessoa.
Agi como um homem machista. Diz o que pensa sem a menor empatia.

Isso é assustador! Estão aí no meu blog, todos estes textos com idéias libertárias! Nas inúmeras discussões em redes sociais, me posicionei contra este tipo de atitude!

De repente, me deparo fazendo o mesmo [e o pior, já haviam me dito isso e eu não ouvi].

Por ora, só posso apresentar minhas desculpas, aqui, para quem tenha se sentido agredida e dizer que a partir deste choque estou buscando agir de forma mais cuidadosa com as pessoas que venha a conhecer.

Eu tinha escrito outro texto com a reflexão que fiz e observando conflitos pessoais que me leveram a uma atitude superficial com os relacionamentos… mas ficou parecendo uma choradeira.

Não concordo com a forma que as postagens foram apresentadas, nem com críticas ao fato de eu gostar de sexo (não vejo isso como um problema), mas, sou obrigado a agradecer a estas pessoas, por terem me feito pensar no assunto!

Graças a elas, mudarei radicalmente minha forma de relacionar-me com as pessoas daqui pra frente, buscando uma atitude de maior empatia e respeito pelo outro.

É tudo o que posso fazer, por ora.

O fenômeno ‘funk’ – brasileiro

8 abril 2014

O Funk e o seu papel social

É complicado falar de algo que não se conhece… eu nem deveria falar, então, diriam alguns. Mas eu não quero falar do funk eu quero falar do efeito. Do “fenômeno funk [brasileiro]” – ao final deste texto, há links e explicações sobre funk como música, sobre funk carioca e funk paulista, etc.

Por que falar sobre isso?

1. Está em toda a parte! Ouvimos funk sendo executado em todo o lugar: nos celulares em ônibus, nos carros em plena rua, nas casas, em alguns estabelecimentos comerciais, nas festas, nas festas-funk, nos programas de rárdio e TV, etc….
2. Divisor de opiniões – bastante emocionadas!
3. Traz implicações econômicas e sociais ao país.
4. Outros…

Sobre este fenômeno, é importante atentar para suas nuances e para os motivos que geram controvérsia;

1. Muitas letras das ditas canções são repletas de termos denominados ‘de baixo calão’, ‘chulos’, ‘populares’.
[na verdade, todo mundo sabe o que significam estes termos, então não há nada de errado com eles]
2. As composições são executadas [também] em bailes de subúrbio e favelas, onde há uma erotização exacerbada, inclusive ocorrendo relações genitais/sexuais.
[isto também ocorre em inúmeras festas de classe média e alta, mas em escala diferente, já que existe muito mais gente pobre do que não pobre]
3. Tudo isso é disseminado no rádio e na TV, ao alcance das crianças.
[no baile funk não entram crianças, acredito, ainda que entrem menores – como ocorre em outras festas – o problema da veiculação deste material em rádio e tv não é do funk, mas da falta de critério/fiscalização/normatização da difusão de rádio e tv]
4. As letras falam muito sobre sexo e relações efêmeras ou adúlteras.
[Isto está presente em toda a MPB, no Pop e em quase todas as composições musicais do mundo, em níveis diferentes ou iguais ao do funk]

Então o que há de errado com este fenômeno? E o que há de certo?

O que há de ‘errado’ é que este fenômeno nasce na favela! Nasce em meio à classe mais pobre do país. Vem carregado de sotaque e ‘imperfeições’ da língua falada (que não é a erudita língua escrita que poucos, inclusive das classes mais abastadas, dominam).
Falam da realidade crua brasileira e das relações diretas e quotidiana, sem o ‘véu de Maria’ para encobrí-la! Sem a hipocrisia social geral que finge que as coisas são de outro jeito, que não o jeito que são (o pecado católico)! Falam de sexo como o sexo é e chamam o pau de pau, a buceta de buceta e o cu de cu! Falam de ‘traição‘ chamando-a de ‘traição’.
Ninguém está habituado a ver na TV ou ouvir no rádio, coisas verdadeiras! A novela é falsa, as ‘notícias’ são falsas, o carnaval é falso (pq o verdadeiro acontece na rua) o futebol é falso (futebol é jogar bola, o que aparece na TV são transações comerciais de empresas diversas, umas, inclusive, chamadas de ‘clubes’), a religião é falsa (o país é oficialmente católico, aborto e métodos anticoncepcionais não são ‘coisa de Deus’, mas todo ano milhaaares [MILHARES] de mulheres morrem fazendo abortos e outras tantas sobrevivem, zilhões de pessoas fazem sexo por prazer, e muitos deles vão à Igreja se ‘confessar’, depois), as regras de trânsito são falsas [quem é que pára no sinal quando não tem ninguém passando? e quantos não páram nem com gente passando?]. O governo é falso (diz-se dos trabalhadores, mas só beneficia multinacionais, corrupção de todo tipo são executadas desde o “descobrimento” – que também é falso!), a “Independência” do Brasil é falsa! Tudo é falso neste país!

Por este motivo, a verdade assusta! Tira as pessoas da zona de conforto.

Mas, até aí, parece que a sociedade estava tolerando razoavelmente… até pq as letras de música de gafieira, por exemplo, são tão ‘chulas’ ou mais, do que as de funk e ninguém fez alarde, até hoje.

Quando, afinal, este fenômeno começou a incomodar de fato?

Lembro de um debate com o Jorge Mautner e o Tarso Genro [foi nele que eu perdi todas as esperanças neste político – faz muuuitos anos, acho que este era prefeito ou nem isso, ainda], com mediação do Fischer em que se falava sobre o “fenômeno” da época (que eu já não lembro se era o pagode ou a música sertaneja) e, ao passo que o político tentava desqualificar tais músicas enquanto cultura, o Jorge simplesmente comentou que com o Plano Real o povo adquiriu um mínimo de poder aquisitivo e então estava comprando o que gostava. Simples, assim.

Então, o primeiro incômodo é da mesma natureza do incômodo dos ‘rolezinhos’ em shoppings ou dos acentos aéreos a preços populares: os pobres estão comprando!
Os pobres estão consumindo e o Mercado está se ajustando aos pobres! A elite está perdendo o ‘status’ de elite, para ser, apenas ‘elite’ pseudo-intelectual.

O segundo incômodo – e parece-me que é, EXATAMENTE, aí, que inaugura-se a gritaria – é que as mulheres começaram a fazer funk!
Mas, não é só isso, sempre existiram mulheres na música brasileira (embora em menor número do que homens), elas estão escrevendo letras de funk! E nestas letras estão cantando sua autonomia! Sua sexualidade! E sua VERDADE: que mulher gosta de sexo e sente prazer!
E mais: elas estão escolhendo com quem, quando e onde fazer sexo!
[tem ilusão nisso aí? tem muita! mas tem a parte real… parte disso é real! e a realidade incomoda, lembram?]

O ícone do momento é a Valesca Popozuda! Suas letras, principalmente, as do início da carreira são diretas! A mulher dizendo que quer transar e de qual modo. E este modo é real, não é todo fingido ‘como manda o figurino’!

Por tudo isso, o Brasil (não sei que Brasil é este, se a maioria da população é funkeira) está chocado!

Agora, as pessoas dizem a verdade!?
Agora, AS MULHERES dizem a verdade!?
Agora, as mulheres têm vontade própria e escolha!?

Como isso? Óh! Céus!?

Numa sociedade patriarcal, machista, opressora, hipocritamente ‘religiosa’ e oligárquica quanto à concentração de renda, tudo isso é INADIMISSÍVEL!

Como assim, as pessoas não estão comprando o que EU quero que elas comprem?
Como assim, as mulheres estão saindo do controle?
Como assim, a identidade do Brasil, agora está ficando parecida com realidade do seu povo?
Como assim, estão falando de pobreza e ostentação?

Estes são os aspectos importantes em torno do fenômeno ‘funk’. Quanto à musicalidade, isto é outro embate secundário.
Ah, as letras, em sua maioria, não são complexamente elaboradas e os instrumentos não são tocados com maestria (quando há instrumentos e não apenas edição digital)?
Isso é só o resultado da “educação popular”! Toda esta gente que está chocada, são as mesmas pessoas que não lutaram por condições melhores de saneamento básico para a população brasileira.

Agora, agüenta: “Late mais alto que daqui eu não te escuto”!!!

Notas:

Segundo a Wikipedia, “o funk é um gênero musical que se originou nos Estados Unidos na segunda metade da década de 1960, quando músicos afro-americanos, misturando soul, jazz e rhythm and blues, criaram uma nova forma de música rítmica e dançante.”

O antropólogo Hermano Vianna foi o primeiro cientista social a abordá-lo como objeto de estudo, em sua dissertação de mestrado, que daria origem ao livro O Mundo Funk Carioca (1988).
http://www.overmundo.com.br/banco/o-baile-funk-carioca-hermano-vianna

Tem este outro artigo interessante, aqui também:
https://www.academia.edu/5386275/_Nao_me_bate_doutor_funk_e_criminalizacao_da_pobreza

Segundo a mesma Wikipedia, o Funk Carioca surgiu em festas Funk no RJ que, inicialmente, tocavam música internacional (o Funk original) dentre outras. A música mudou, mas o nome permaneceu.

Injúria

5 abril 2014

O Código Penal Brasileiro, criado pelo Decreto-lei 2848/40 de 7 de dezembro de 1940, em seus artigos 138, 139 e 140, trata dos casos de Calúnia, Difamação e Injúria, respectivamente.

[reserve]

O ambiente virtual, particularmente, o facebook é um campo fértil e abundante deste tipo de crimes!
E alguns deles são cometidos ao mesmo tempo, com uma mesma sentença proferida (por escrito, no caso – prova cabal).

As pessoas, em geral, desconhecem a lei e fazem falsas alegações a respeito das outras o que, dependendo dos termos utilizados, podem ser enquadradas num ou mais de um dos referidos artigos.

Postagens em grupos de discussão, conversas diretas no facebook, postagens anônimas em blogs (mas com estrutura textual, vocabulário e erros ortográficos e gramaticais, perfeitamente, reconhecíveis), onde @s agressores destilam veneno e impropérios sem fazer qualquer relação entre as acusações e hipotéticas ações ou declarações d@s atacad@s, são algumas práticas comuns.
Uma acusação vazia, seguida de um ‘bloqueio’, afim de impedir que a pessoa inquira as razões do ataque ou argumente em contrário às injúrias, é a cena mais natural.

Quando sou eu o alvo do desequilíbrio alheio, mantenho o discurso coerente e sem usar termos de baixo calão, sempre indagando sobre algum ‘fato’ sobre o qual, poderíamos então analisar se errei ou não. Caso eu constatasse falha minha, eu buscaria alguma forma de reparação – no mínimo, um pedido formal de desculpas e uma promessa de não mais cometer tais erros hipotéticos.

Sou muito convicto de minhas idéias e tenho boa desenvoltura verbal. Dificilmente, encontro alguém que consiga mostrar meus erros; Mas, VEJA BEM: Isto acontece, não porque eu não cometa erros! Isto acontece porque as pessoas não sabem se expressar!
Algumas vezes, eu até percebo que errei, porém, discordo da interpretação de meu erro, por parte de quem está me acusando. Daí, a pessoa ao invés de dialogar comigo até que cheguemos a um consenso (e seria até fácil, nos casos em que já considero que estou errado), parte para agressão ou para a “argumentação” vazia!

Eu não tenho problemas em reconhecer erros e em buscar reparação dos mesmos. Certa vez, cruzei uma rua ‘preferencial’ sem respeitar a placa de ‘pare’ (termos do código de trânsito) e provoquei um acidente. Nem me passou pela cabeça tentar desviar-me desta culpa. Minha segunda frase, foi “-A culpa é minha!” (a primeira foi: -Está tudo bem?).
Como eu estava com um carro da empresa, queriam tentar fingir que não tive culpa por causa de seguros, etc… Recusei-me. Assumi, categoricamente, a culpa. A culpa era minha. Onde há uma placa de ‘pare’ é preciso parar. Não parei, sou culpado. Fim. Tive que pagar os prejuízos de ambos os veículos (e fiquei questionando-me sobre por que não recebi uma multa por não parar diante da placa de ‘pare’!?).

Eu tenho ‘problemas’ é com a estupidez, a arrogância e a ineficiência verbal/intelectual alheias! E com a falta de empatia ou falta de interesse alheio em entender os fatos. Em última análise, falta de interesse alheio em promover melhoria: as pessoas só querem agredir, elas não querem te mostrar erros para que tu os repare/tente reparar e/ou para tu prosperar, autoavaliar-se, retificar-se… não!

Muitas vezes, basta que as pessoas se proponham a entender os acontecimentos. Note bem: não estou tentando ‘justificar’ as ações, e sim ‘explicá-las’. Embora pareça uma diferença sutil, ela é gritante!

A coisa é simples:
-Fiz isso, por causa disso e não por causa daquilo. Entendeu?
-Sim. Mas a culpa, ainda é tua!
-Sim. A culpa é minha. Só queria que entendesses os processos. Agora, vou procurar uma forma de rever isso.

Eu não quero ser um ‘errante’. Eu não gosto de errar. Não gosto de cometer falhas e gosto menos ainda de causar mal. Jamais eu pretendo causar mal por um erro! Eu posso querer causar mal, intencionalmente, mas nestes casos eu não vou ficar tentando fazer parecer que estou ‘certo’, que não ‘errei’ segundo o conceito geral.
Eu vou dizer: – Fiz isso, assim, porque eu quis fazer assim.

Se eu estiver dizendo que não quis, que não entendi, que não estou vendo o erro, apenas mostre-me! Prove-me. Tão logo eu o perceba, tratarei de esforçar-me para não repetí-lo. Nem todos os erros são reparáveis, eu sei. Mas, o futuro pode ser gerenciado.
Ou eu vou esclarecer que fiz daquela forma por convicção e não vou mudar, sejam quais forem as conseqüências.
Se o acusador não me provar que estou errado, ele estará apenas perdendo seu tempo. Não me atinge, porque não vi o erro e não consegue minha reparação ou mudança (porque não vi o erro).

Claro, eu sou dotado de inteligência. Se alguém faz uma acusação torta sobre mim, eu vou analisar e reanalisar profundamente minhas palavras e ações, circunstâncias, etc… em busca do motivo pelo o qual a pessoa chegou àquele julgamento. Algumas vezes eu posso descobrir que OUTRO erro levou a pessoa a creditar-me erro diverso, mas eu entendo a má interpretação da pessoa e passo a evitar o erro que EU identifiquei como causador da má interpretação dos fatos.
Outras vezes, concluo que a pessoa em questão deve sofrer disso ou daquilo e por isso ‘viu’ determinado erro onde não existia (ou onde existia outro erro). Ainda nestes casos, eu vou tentar achar uma forma de expressão diferente que não dê margem para pessoas doentes interpretarem errado meus atos.

O que falta às pessoas é veracidade. As pessoas não assumem suas baixezas, suas falhas, suas intenções e nem suas posições. E elas mentem!
Então elas acham que todo mundo é assim.

Pressupõem tuas ações segundo sua própria vileza e te agridem, te injuriam, ofendem, etc.. sem um objetivo de reparação, mas somente de destruir-te, pq no fundo, estão tentando transferir pra ti a angústia de suas próprias imperfeições. E deve ter outras razões, como burrice, mesmo, etc.. mas o fato é que atribuir-te um ‘rótulo’ e não narrar um ‘fato’ que faça jus a tal ‘rótulo’ é, antes, um dos três crimes citados no início deste post, do que qualquer outra coisa.

Certamente, tais atitudes causam desgaste. No entanto, servem apenas para fortalecer o indivíduo em sua noção de integridade. Não é possível garantir que isto seja bom, pois na hipótese de haver um erro que não foi narrado e, portanto, não pode ser analisado, tal erro permanecerá sem reparo e a conduta geradora do erro permanecerá inalterada (deixando margem para novos erros semelhantes). De resto, não havendo erro algum, exceto da má interpretação ou má intenção d@ agressor(a), este fortalecimento é benéfico.

Rogo, apenas, que as aulas de português e filosofia do ensino médio sejam melhores no futuro, promovendo cidadão críticos, capazes de expressar o que pensam e com intenções melhores!

Gordofobia — Bullying

12 março 2014

Repetidas vezes, deparo-me com a mesma seguinte situação:
Uma ‘piada’ ou uma mensagem de ‘auto-ajuda’ com/para gordos, seguida de uma série de ‘desculpas’ estúpidas tentando justificar o Bullying.
O mais comum:
“-Mas, ser gordo não é saudável!” {com voz leve e doce}
“-O risco de um gordo ter um AVC é maior do que de um magro.”
“-Também sofri Bullying….”
“-É normal uma piadinha!”

Imenso nojo dessa gente!!!
Primeiro, porque me irrito com ignorância desmedida em tempos de ‘google’!
Segundo porque os argumentos mudam de categoria ao longo da discussão.

A briga sempre começa quando alguém elenca o fato do ‘direito de ser gordo’ (ou, simplesmente, direito de ‘ser’).
Neste momento, começam os argumentos idiotas sobre saúde e ‘tradição’.
Não interessa o que tu acha sobre saúde ou sobre ser normal agredir os outros. Se uma pessoa é gorda (ou magra, ou tatuada, ou seja lá o que for) isso não é da tua conta e tu não pode avaliar de antemão o quanto tua agressão é ‘normal’ ou o quanto, justamente, este ‘normal’ é insuportável para a vítima.

A pessoa gorda só pode estar gorda por dois motivos:
– Ela está feliz assim.
– Ela não está feliz assim, mas não conseguiu mudar isso.

Se a pessoa está feliz, fodam-se os outros (farei uma ressalva abaixo).
Se a pessoa não está feliz, bem aí não cabe a ti, culpa-la se ela não consegue mudar isso.

Ela pode não conseguir mudar por N motivos! Alguns possíveis:
– Nenhum tratamento adotado até então, resolveu;
– Não tem condições financeiras, psicológicas, nutricionais ou não dispõe de tempo para fazer um tratamento adequado;
– Todo mundo lhe enche o saco e ela, por ansiedade, come mais ainda!
– Está depressiva por não agradar esteticamente, justamente a quem não interessa: tu e os outros;
e eu poderia pesquisar no ‘google’ inúmeros outros casos/motivos.

A ressalva: Se você é amigo/parente de alguém gordo e percebe que esta gordura está causando problemas à pessoa, então tu podes tentar ajudar. MAAAAAS, OBVIAMENTE não será fazendo uma piada que tu vais conseguir isso.

Por último, ninguém melhor do que a própria pessoa gorda pra saber o que significa ser gordo, ou seja, não é preciso listar para o gordo todas as implicações desta condição.

Então, quando praticares o Bullying, tenha a decência de assumir que estás praticando Bullying e não venha com “mas”.
Enfie seus “mas” no olho do próprio cu!!!!

-Hoje eu to puto da cara com a hipocrisia!

Por que o mercado pornográfico é machista

7 fevereiro 2014

Volta e meia me deparo com discussões sobre as produções pornográficas e vários argumentos feministas são confrontados com os mais estapafúrdios argumentos em defesa do mercado pornô.
Eu já opinei sobre isso em redes sociais, mas acho muito trabalhoso ficar repetindo as coisas. Então vou escrever aqui o que eu acho e passarei a colar o link onde rolar essa discussão de novo.

Vejam bem, pornografia é algo que agrada a alguns e não agrada a outros por N motivos. Mas, independente de agradar ou não, podemos analisar os fatores.

Se o sujeito souber procurar (e se souber usar sistemas operacionais, navegadores e plugins para evitar que os sites estraçalhem seu computador), encontrará absurdas quantidades de material pornográfico de graça na Internet.
ABSURDAS!! Tem tanta imagem (fotos e filmes), mas tanta, que não consigo entender como pode ser possível! Parece que tem batalhões de pessoas (e tem) fazendo sexo pra vender 24h por dia!!!

Bom, mas e daí? Daí que se nos perguntamos: como esta gente ganha dinheiro se está tudo livre na rede?

Por causa da doença – é a minha conclusão. A doença da perversão e suas assemelhadas.
Observe: Se tu quiseres, podes ficar 24h por dia, caçando pornografia gratuita na rede… e vais achar de tudo! Do pior ao melhor.
Mas vais encontrar vários sites que te oferecem ‘algo mais’, uma cena a mais, a cena completa, outros ângulos, etc… se tu pagares.
Por que alguém pagaria? Ok, talvez alguém queira pagar uma ou outra vez pq se apaixonou por algum dos integrantes da cena, sei-la… mas como isto daria lucro para indústria?
Porque tem gente, realmente, doente! Tem gente que paga, que paga MUUUUITO por pornografia! E quanto mais bizarro o ‘estilo’ ou ‘modalidade’, mais caro!
Procure por zoofilia, por exemplo. Para ver um vídeo de longa duração com qualidade gráfica, vais ter que pagar! Eu nunca vi, porque não ia pagar por uma curiosidade momentânea.

Então, a pornografia é produzida, prioritariamente, para o público doente. E o sujeito doente, é doente… ele gosta de coisas não naturais, não saudáveis.
Ele quer perversão, dominação, humilhação, libertação (poder ver o que não pode fazer, mas tem vontade)… então além do bizarro extremo, que eu não sei o que pode ser, há muita cena de mulheres sendo espancadas, asfixiadas, penetradas de forma grosseira, múltipla, etc….
Existem mulheres que gostam de ser tratadas assim (não significa que isto seja saudável, mas não vou julgar), mas no geral, acredito que elas desejem ter prazer sem dor extrema, no sexo – assim como creio que os homens também não estejam buscando dor para si próprios. E a maioria das pessoas não parece gostar de ser amarrada e ter vários objetos sendo enfiados em seus corpos por todo o lado e outras práticas que, notadamente, só estão visando o prazer do ‘homem’, quando muito!
Fora a fantasia, digo, talvez passe pela cabeça de um número bem maior de mulheres do que posso supor, a idéia de uma ou outra vez participar de uma suruba ou outras coisas bizarras – não significa que elas, realmente, fariam isso….nem que a sensação seria a imaginada.
Todas as ressalvas que faço são para não ser moralista, nem coibir o prazer alheio, por mais bizarro que seja. Sejam livres em suas vidas particulares! Mas, aqui estou dissertando sobre a produção pornográfica.

Note bem: como o planeta é machista, são os homens que têm maior poder aquisitivo. São os homens doentes com dinheiro, então, que movimentam o mercado pornô. Então, este mercado produz de acordo com as doenças masculinas.
Se as mulheres tivessem maior poder aquisitivo, seriam as mulheres doentes que estariam alimentando o mercado e então, talvez tivéssemos uma produção bizarra diferente (não saberia dizer se pior ou menos pior).

Resumindo: Quem dá lucro pro mercado pornográfico são homens doentes. Assim o mercado pornográfico produz mercadoria adequada ao seu público, perpetuando a exploração e humilhação da mulher.

Abaixo, listarei algumas idéias que foram apresentadas nas discussões que participei:

– “Mulher nenhuma gosta daquilo!” -> Generalizar é um erro. Várias cenas bem bizarras já me foram solicitadas a fazer, ou seja, há quem goste.
– “A mulher é livre para fazer o que quiser do seu corpo!” -> Verdade. Mas, até que ponto aquelas atrizes estão fazendo aquilo porque querem ou porque seus históricos de vida às levaram aquilo como única saída? [uma vez vi uma cena com uma menina tão magricela e visivelmente cansada, que era evidente que estava passando fome. Certamente estava fazendo aquela cena para poder comprar comida!
– “Só o homem tem prazer naquilo!” -> Muitas vezes o ator masculino da cena, também não tem prazer. Alguns são gays e fazem as cenas por dinheiro, como há lésbicas que fazem cenas com homens, por dinheiro. Já li declarações de atores de vários gêneros contando que há momentos de prazer e outros de puro ‘profissionalismo’ e vários não gostando do que fazem.
– “Nenhuma mulher faz aquilo porque quer!” -> Não é verdade. Conheci uma menina que desde os 15 anos sonhava em ser prostituta! Aos 18 ela foi trabalhar com isto. A própria Sasha Gray disse numa entrevista que gostava muito de sexo e que gostava de sexo violento (embora em outra reportagem alguém explicava que seu “Gray” no nome artístico vinha de sua indiferença ao sexo!)… volta e meia se ouve falar por aí que alguém resolveu ser prostituta, mesmo tendo grana, estudo, etc. Nunca duvide das pessoas!

Em suma, o que eu quero dizer é que não dá pra ‘defender’ todas as pessoas envolvidas nas cenas e nem dá pra condená-las. As pessoas da cena não devem ser o foco da discussão, mas a cena em si e o que ela faz com as pessoas envolvidas (não vamos julgar as motivações das pessoas artistas pornôs). Isto eu já falei acima, é a questão da ‘doença’ que movimenta o mercado.

Assim sendo, não aceito argumentos em defesa do mercado pornô. Acho que ele é exploração (de todos os atores e atrizes) e que é baseado na bizarrice.

O outro ponto disto é que o chamarisco para as áreas pagas é a difusão de toda esta pornografia que se acha de graça na rede. Tudo isso aí, meio doentio, vai atraindo os doentes para a área de extrema doença e tal. Mas a conseqüência é que todo mundo vai tendo contato com cenas bizarras de sexo. E por desconhecimento ou pelo efeito ‘martelada repetitiva’, internalizam aquilo como sendo o único jeito de fazer sexo. Assim, reproduz-se a violência contra a mulher e exigência de performances ‘profissionais’ das pessoas na hora boa.
Frustração, desgaste, desarmonia e arrependimento são os resultados.

Eu defendo a criação de produção erótica. Mesmo que seja uma produção com imagens explícitas de sexo. Mas produções com enredos naturais. Não digo romantismos, mas uma cena de balada que termina na casa de um e rola uma putaria legal… mesmo que role de tudo (afinal, há gostos para tudo). A diferença é a abordagem, afinal, a maioria das pessoas gosta de sexo. Não é à toa que já nasceram BILHÕES de pessoas na Terra.

O homem feminista não existe

3 fevereiro 2014

Ou se é homem, ou se é feminista. É o que defendem algumas pessoas.
Há um ‘quê’ de verdade nisso. Mas, há uma falha de definição: O que é ‘ser homem’?
Já escrevi aqui sobre machismo e alertei para o fato de que ‘ser homem’ é uma ilusão, já que ‘homem’ é uma alegoria. Leiam o post para entender.

Se o sujeito considera-se ‘homem’ num sentido além do biológico (e isto já é uma definição difícil, dadas as variações biológicas do ser humano) então ele, bem provavelmente não poderá ser feminista, mesmo…
Digo ‘bem provavelmente’ porque não sou dono da verdade… ainda não analisei bem toda esta armadilha intelectual.
Mas, o pressuposto para ser feminista (corrijam-me se eu estiver errado) é lutar pela igualdade de direitos do ser humano; Eliminar a supremacia de uns sobre outros, notadamente, a supremacia política/financeira/social -> social no sentido de ‘status quo’; então esta posição política, chamada, feminista, poderia ser adotada por um ser que não visse diferença de gênero no âmbito social.
Penso que a pessoa feminista há de aceitar a igualdade entre pessoas de quaisquer gêneros e transgêneros… seja do ponto de vista biológico, seja do ponto de vista da ‘identificação’ de cada ser, identificação esta que há de conceber ‘identificação nenhuma’, digo, conceber quaisquer deslocamentos fora ou entre os padrões binários, usualmente ‘aceitos’ na sociedade.
Ainda sobre este último aspecto, explico: há pessoas que não se identificam nem como homens, nem como mulheres, independentemente delas terem estas, aquelas ou um híbrido de características biológicas de macho e/ou fêmea.
Então, gênero é uma identificação pessoal que pode ser macho, fêmea ou neutro (para jogar no mesmo balaio, tudo o que não for ‘macho’ nem ‘fêmea’, “hétero-cis-binário-normativamente”, falando) da qual só o sujeito/agente pode dar conta.
Pessoas que aceitam isto, respeitam isto, compreendem isto ou estudam isto, ainda assim, podem não ser feministas. Podem ser ‘observadores’, por exemplo.
Feministas, ao meu ver, são pessoas que lutam pela igualdade desta miríade de possibilidades humanas em suas expressões naturais. Digo, na expressão natural do ser livre em ser livre do jeito que desejar, ou seja, que estas pessoas possam ter os mesmos direitos que quaisquer outras pessoas tenham. Se alguém pode casar, elas também podem. Se alguém pode mudar de nome, assinar seu nome, ser tratado por um pronome específico, elas também podem. Se alguém pode ser incluído no plano médico de outrem, se pode herdar ou partilhar bens de outrem, elas também podem! Se alguém pode vestir-se assim ou assado, ou despir-se ou usar um banheiro público, então elas também podem!
Acho que é disto que trata o feminismo enquanto movimento socio-político-cultural, em tempos modernos.
Sendo assim, o sujeito que empunha a bandeira do feminismo deveria, por sensibilidade, evitar nomear-se de um gênero, PORÉM, se esta pessoa está, justamente, lutando pelo direito das outras nomearem-se como quiserem, ele há de estar livre para nomear-se, também.
Mas note!!!!!! Desde que esteja nomeando-se ‘a si, mesmo’!!!
Se um militante do feminismo diz: “-Eu sou homem E acho…” ele está exercendo seu direito de nomear-se e de dizer o que acha – mesmo que seu achar seja uma estupidez, o que apenas servirá para revelar que ele é um estúpido [e talvez eu esteja sendo um estúpido]. Mas, se ele diz: “Nós, homens…” ou “Os homens…” ao invés de “Homens…” isso tudo pode acarretar terríveis conseqüências. Pode, inclusive, estar revelando uma falha de caráter do interlocutor. Ou pode estar revelando uma falta de domínio da língua portuguesa (e eu estou certo de que muitos lerão isto sem entender a diferença entre “os homens” e “homens” no início de uma sentença ou período).
Então, na MINHA opinião de ser humano, eu creio que quaisquer seres humanos podem ser feministas SE estiverem lutando pela igualdade de direitos.

Eu, particularmente, não me sinto confortável com a definição de “homem” para mim. Isto porque homens, em geral, fazem parte do grupo de pessoas opressoras que dominam o mundo desde há muito tempo. Assim, eu não quero ser confundido com tais pessoas.
Mas, eu PODERIA entitular-me ‘homem’, baseado em minha biologia e, mesmo assim, continuar lutando pela igualdade de direitos. Porém não farei isso (nomear-me “homem”). Não me agrada. Não quero. Não vou. Nem por isto vou dizer que sou outra coisa. Não sou nada. Sou um ser humano. E minha opção sexual (ou opções) não determina meu gênero ou des-gênero. Não importa. Importa se eu respeito as pessoas como pessoas.
Aqui, estou apenas defendendo o direito dos que, por ventura, entendam-se ‘homens’ e, mesmo assim, desejam a igualdade de direitos. São minoria, eu sei. De fato, não sei se existem. Mas quero crer que sim. Ou, pelo menos, quero defender o direito de existência de um ser, mesmo que ele não exista.
O fato de uma criatura parecer-se, externamente, com o que chamamos ‘homem’, segundo um estereótipo sócio-cultural-cis-hétero-binário-normativo, não a torna coisa alguma. O que uma pessoa ‘é’, é o que ela FAZ. Ou, algumas vezes, o que ‘deixa de fazer’. O ‘homem’ que não comete atos de ‘machismo’, por exemplo, já não é machista, mesmo que ele não faça nada para ser chamado de feminista.
Ele talvez não faça, por medo ou vergonha… mas, enquanto estiver assim, não pode ser acusado/condenado. É como o psicopata que AINDA não cometeu nenhum crime. Como acusa-lo de algo?

Se condenarmos os homens, excluindo-os do feminismo, apenas por serem homens, o que faremos com as pessoas trans* que se nomeiam “homens”? Assim que lhes for concedido o direito de serem tratadas como homens, deveremos excluí-las do movimento?
Aliás, feminismo (novamente, ao MEU ver) não é um movimento. Feminismo é uma posição político-social. Embasados nesta posição existem diversos movimentos… e diversos movimentos com esta base formam o movimento feminista como um todo.
Não importa quem são seus agentes, ainda que importe MUITO quem são seus agentes – eu adoro jogo de palavras!
Os agentes importam para dar voz, corpo e sentido aos movimentos. Mas o movimento, enquanto movimento: coisa que se movimenta, coisa que acontece, este independe do percentual de ‘tipos’ de pessoas envolvidas.
Obviamente, se o feminismo surgiu entre as mulheres, ele vai ser composto, majoritariamente por mulheres. Logicamente, à medida que seus efeitos foram sendo percebidos e que surgira a possibilidade de outras pessoas nomearem-se ‘mulheres’, mulheres e mulheres passaram a fazer parte do movimento.
E se o movimento expandiu-se para dar voz a quem não tinha voz, logicamente, novos timbres serão ouvidos neste grande grito.
E se há um grito, há quem deva ouvi-lo!
Há três ouvidos para escutar: O ouvido do flagelado, que precisa ouvir o chamado para unir-se ao Grito e fortalecê-lo; o ouvido dos opressores, que precisam saber que seu reinado está chegando ao fim e, finalmente, o ouvido do justo, esteja ele onde estiver, que precisa ser acordado para auxiliar o processo de transição à igualdade (e eu poderia citar Luther King, para dar forma a esta expressão).

Gritemos todos juntos!
Gritemos sem desprezar os timbres roucos que desejam afinar-se em coro.

Obs.: Expressões escritas são bastante difíceis de serem claras, algumas vezes, precisamos escrever um livro pra dizer algo. Então, gostaria de tentar esclarecer, aqui, que não estou tentando DEFINIR o que é feminismo, nem dizer como se DEVE fazer para ser feminista… não fui eu quem criou o termo ou os movimentos, ações feministas. Minhas expressões são de acordo com o que eu entendi, até agora, sobre esta coisa toda.
À medida que vou conversando com mais e mais pessoas, vou descobrindo cada vez mais, o que é este fenômeno… e vou aprendendo onde ou como eu posso inserir-me nele, seja para apoiar as outras pessoas, seja para receber minha parcela de compreensão e liberdade.
Sintam-se à vontade para criticar-me e orientar-me. Eu agradeço.

Divinas Divas

21 dezembro 2013

ImagemUm espetáculo emocionante!
As imagens produzidas no palco são vivas e belas! As músicas, a comicidade e as declarações, cada coisa mais tocante que a outra!
As histórias reveladas por estas pessoas, do alto de suas cinco décadas de palco e outras mais, de vivência, são impressionantes!

Ao longo de minha vida, nunca dei atenção à Rogéria ou a quaisquer travestís; Eram, simplesmente, pessoas. Alguns, artistas. Eu lembro que as pessoas em geral se alvoroçavam com as travestís…. não entendia por que, quando criança, e não voltei a pensar nisso, mais tarde.

Não, eu não ignorava que elas tinham dificuldades com a sociedade machista, hipócrita e retrógrada, mas não havia me aprofundado.
Foi ao juntar-me ao grupo de discussão da Marcha das Vadias, que comecei a dialogar sobre transgeneros, travestís e toda esta multiplicidade de pessoas que não se enquadram nos modelos cis-hétero. Antes disso eu sofria com o machismo e observava o quanto esse machismo causava toda a sorte de desgraças às mulheres e homossexuais, mas não não reparava na peculiaridade de alguém trans*.
Foi ali que fui confrontado com o fato de que usar um banheiro público poderia ser um dilema ou um suplício. Não apenas do ponto de vista prático, mas no âmbito da identidade da pessoa.

Quando li sobre o Divinas Divas, através de uma twittada da Leandra Leal, foi que reconheci o valor destas travestís pioneiras! Ao ver o video da ‘vaquinha virtual’, a explicação da Leandra sobre o documentário, fiquei encantado!
Mas não imaginava que o show que eu veria no Rival/RJ seria tão fantástico!

A explanação da Angela Leal sobre sua vivência em contato com estas artistas e suas experiências de vida e sua alegria com o fato da Leandra ter percebido o valor histórico-cultural da atuação daquelas travestís, não apenas como artistas, mas como protagonistas de uma luta pelo direito de se ser o que se quiser, direito de buscar sua própria felicidade, independente dos padrões sociais e da hipocrisia geral, foi algo memorável. Infelizmente, não gravei aquelas palavras, porém registrei o seu sentido. Fiquei muito feliz por esta menina ter tido este insight, esta sensibilidade e ter, finamente, empenhado sua energia e sua determinação (e vários outros talentos) para realização deste trabalho de resgate e promoção desta faceta da história social e artística do Brasil e, por conseguinte, da humanidade.

“Ser mulher é muito fácil para quem já é, mas pra quem nasce para ser João, é um sacrifício, a transformação…”

Esta é a letra da primeira música do show…. apesar de eu saber que ser mulher não é nada fácil, entendo o que ela diz.
Em vários outros textos meus, aqui no blog, eu falo sobre machismo, sobre minha falta de sintonia com o universo masculino e sobre minha sensação de que preferia ter nascido lésbica, ou seja, sobre esta admiração pelas mulheres ao ponto de preferir ser uma – com a diferença de que a tenho, em parte, por não gostar de homens, não gostar de ser confundido com eles, e por achar que ser mulher (e ser mãe) é algo explêndido!

Eu, diferentemente dos travestís, resolvi conformar-me com meu corpo, ainda na adolescência. Primeiro porque não me agrava a idéia de tranformá-lo -sabia que eu nunca seria uma mulher -, já que ele funcionava muito bem, assim.
Segundo, porque parecendo-me com uma mulher, atrairia homens e eu detesto homens (tenho poucos amigos, aliás).
Mas, admiro-os por perseguirem seus desejos!

Agora, aguardo ansioso o lançamento do documentário!
Obrigado e parabéns, Leandra!

Os homens têm medo das mulheres [grande novidade]

3 junho 2013

Acho que o planeta inteiro (talvez a galáxia) sabe disso. Mas há uns pontos que se pode explorar.

Impelido por discussões (não sei se chegam a este nível, de fato, talvez sejam meras choradeiras) sobre machismo e feminismo nas redes sociais, observei o seguinte:

Os machistas acham que as mulheres devem ser “recatadas” e que as mulheres seguras e autônomas são “vadias”.

Bem, de repente, percebi que na verdade os “homens” não sabem lidar com as mulheres, têm medo delas e por isso, preferem as que parecem dóceis, que eles vêem na figura das “recatadas”. Isto posto, esforçaram-se por construir na sociedade esta visão de que “recatadas” são legais, e as outras são “vadias”.
Assim, forçaram as próprias mulheres de antanho a “educar” suas filhas para serem submissas.
Desta maneira, eles não se sentiriam mais ameaçados pela aproximação de uma mulher.
Se todas forem “recatadas” e ficarem esperando eles chegarem, eles têm tempo de tomar coragem pra isso e pensar em alguma coisa, como ajeitar o cabelo pra esquerda, ou qualquer estupidez que sejam capazes de iludir-se de que seja eficaz.

Tanto é assim, que infinitas vezes, transferem para fora de si o “valor” de atração. Ostentam carros, dinheiro, roupas e assessórios assim ou assado, procuram empregos ou atividades de “destaque” e tentam construir corpos “belos” (cascas padronizadas) que julgam ser suficientes para atrair as mulheres. Ah! E também tentam parecer inteligentes porque acham que isso agrada as mulheres – só que limitam-se à inteligência lógica, sem perceber que é a inteligência emocional que pode interessar mais, uma mulher – ou qualquer pessoa que também seja inteligente {emocionalmente}.

Tudo o que eles temem é ter que confrontar seu próprio ser com a perspicácia da mulher.
Sustentam a idéia de que são “lógicos”, de que sentimentalismos são femininos…. mas choram copiosamente ante a derrota do time!!! O.O  Despedaçam-se quando as mulheres os deixam… Agridem até à morte, algumas vezes, suas ex-cônjuges por tê-los deixado….

Uma sociedade construida para defender seu medinho, há milênios, está de tal forma que é imperceptível tal engenho.
E, educados para o conforto de sua fraqueza, estão despreparados para lidar com mulheres livres.
Já nem é “culpa” deles, AINDA QUE NÃO SEJA JUSTIFICÁVEL, suas atitudes estúpidas, pois é-lhes impossível agir de outra forma.
VEJAM: O MEDO é a componente natural do homem (do sexo masculino)!!!!
Desde criança, os homens adultos, temerosos de que seus filhos homens sejam medrosos, ficam testando-lhes a “coragem”!
Submetem-nos a todo tipo de prova, mesmo que criem mecanismos pedagógicos para isso, afim de que não sejam medrosos.

Vejam como meu filho é machão! Vejam como meu filho é corajoso, herói, valente!

Criam histórias de príncipes, reis, heróis e super-heróis enfrentando todo o tipo de PERIGOS! E várias vezes temos vilãs nas historinhas! A bruxa, a madrástra, a feiticeira, a rainha má, as super-heroínas com seus poderes (sempre em trages e jeitos sensuais)…
E várias vezes são grupos de homens que conseguem vencer os inimigos (ou inimigas).

Os homens SE CAGAM de medo das mulheres! E eles reproduzem essa “educação” ao longo dos séculos. A simples divisão, separação de gênero, já é um facilitador para criar-se problemas (sem falar dos indivíduos que não se enquadram completamente em um ou outro gênero).

Estando todos construídos dentro desta lógica, estão todos borrados e prontos para defender-se mutuamente contra as mulheres terríveis! Porque seu medo é tanto que precisam de ajuda! Então é melhor unir-se, sem pensar.
Separam-se pra cá o homens, os amigos, os “verdadeiros” amigos e pra lá, as mulheres, aquelas criaturas misteriosas (sereias, bruxas…lembram?), terríveis e ameaçadoras!

Só se sentem seguros com a Bela Adormecida (dormindo ela não é perigosa, não é?), a Cinderela que está presa por outras mulheres terríveis (o que significa que ela não é daquele time – talvez), com a Branca de Neve que foi banida e vive de serviçal para 7 anões do tamanho de meninos (que simbologia haverá aí?)….

Eis a raíz de toda esta demência!!!!!!!!!!!!!!

A partir disto, cada um lida com seu TERROR ABSOLUTO e INTERNO, do jeito que pode…. daí temos os psicopatas, os assassinos, os estupradores, os agressores de todo tipo, alguns homossexuais controversos, os solitários, etc, etc….
Ok, outros motivos também levam as pessoas a se tornarem estes tipos aí que eu citei, mas o que quero dizer é que toda esta “violência” psicológica aplicada sobre esta criatura “naturalmente” covarde que é o homem, muuuuitas vezes o levará a problemas.

Depois vou tentar escrever sobre as mulheres diante disso tudo. Mas, por ora, vale lembrar que o hábito de tolerar o medo por parte das mulheres, deixa-las chorar e tudo, tem dois aspectos: O primeiro é que ela aprende a lidar melhor com suas inseguranças, pq elas são “naturais”. O segundo é que também é uma estratégia machista de tentar convencer as mulheres de que elas têm medo, embora não funcione.

É que a televisão me deixou burro, muito burro demais!

28 março 2013

Jovens têm muita atitude!!! Têm energia! Têm coragem! Têm ansiedade, também! Têm ingenuidade, também! Têm inexperiência, também.
Assistimos muitos filmes e documentários sobre protestos em época de ditadura…. lemos reportagens, vemos fotos. Assistimos ao telejornalismo e videos na Internet sobre revoltas e manifestações ao redor do mundo. E vemos, diariamente, os abusos de nossa “política”. Tudo isso nos revolta!!

Queremos protestar, também! Queremos mudar isso!

Só que essa juventude mete os pés pelas mãos.

Fazem metade das coisas direito e outra metade, completamente errado. Absurdamente, errado.

Protestando contra o corte das árvores ou contra o aumento da passagem, bloqueamos o trânsito. Chamamos a atenção da midia, saímos nos jornais e nas redes sociais… damos um recado ao Governo de que estamos insatisfeitos.
Porém, esquecemos contra quem estamos brigando. Acostumados com video-game, futebol, e videos de guerrilha, empregnamo-nos de um sentimento de “uns contra outros”. Os que não estão no meu time, são adversários, são inimigos! E partimos para a violência.

Ora vejam bem: Não se engrossa um movimento agredindo ou atrapalhando nossa prórpria gente!
Quando se pára o trânsito, intransigentemente, quantas crianças ficam a espera de seus pais? Quantas meninas e mulheres vão andar sozinhas em ruelas escuras nas vilas ou em bairros menos movimentados, mais tarde do que de costume? Quantos idosos não receberão seu remédio a tempo ou não terão suas fraldas trocadas?

Motociclistas são derrubados, motoristas são xingados, ônibus são alvejados por pedras com passageiros (e motoristas e cobradores) dentro! Ânimos são exaltados e a polícia (que alguns de nós tenta convencer a ficar do nosso lado) é provocada e entra-se em choque direto com ela. Quantos manifestantes são agredidos pela polícia? Quantos deles correram risco de vida ou virão a apresentar seqüelas no futuro?
Isso que se está fazendo é uma IMBECILIDADE!

Não estamos numa guerrilha! O povo não é nosso inimigo (por enquanto)! Que necessidade é essa de agressão?

Nosso objetivo não é causar problemas para as outras pessoas. Nem para nós mesmos. Nosso objetivo é criar visibilidade para os movimentos e assim, CATIVAR mais simpatizantes. Que simpatia conseguiremos divindo o próprio movimento – como me vejo agora obrigado a gritar?

Vamos pra rua, SIM! Vamos parar o trânsito, SIM!! Mas vamos fazer isso com sabedoria. Pára-se o trânsito por 15 minutos. Depois, libera-se uma pista e deixa-se as pessoas viverem ou sobreviverem!!

Vamos cercar a prefeitura, SIM! Mas por que depredá-la? Por que jogar tinta? Por que provocar tumulto dando motivo à polícia para bater na gente? Somos idiotas? É a polícia que determina o preço da passagem? É a polícia que corta as árvores?

Vamos então invadir a Câmera de Vereadores TODOS os dias! Vamos impedi-los de trabalhar até que façam alguma coisa. Vamos apitar e bater panelas na volta da prefeitura o dia inteiro. Mas não vamos usar de violência física, nem vamos atrapalhar a vida das pessoas.

Eu também quero a passagem mais barata! Mas eu não sou burro! Nem sou egoísta! Nem falta-me respeito para com as demais pessoas. Elas têm até o direito de achar a passagem justa! Têm até o direito de não participar dos protestos!! E quantos ali dentro dos ônibus e automóveis não gostariam de estar com a gente, mas não podem!?!

Sejam HUMANOS e RACIONAIS, antes de serem MANIFESTANTES.